Saving financeiro: como evoluir a governança financeira
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Imagine um cenário onde a maioria das empresas consegue gerar economia, mas não sabe o que fazer com esse dinheiro. Isso reflete um paradoxo que pode ser mais comum do que parece: enquanto há um esforço crescente para economizar, muitas empresas ainda não exploram plenamente as oportunidades de otimização financeira em suas operações. É nesse contexto que o conceito de saving financeiro se torna crucial.
Mais do que simples cortes de gastos, o saving financeiro envolve estratégias inteligentes para reduzir custos e evitar despesas futuras, sem comprometer a qualidade ou a eficiência. Implementar uma governança ágil e utilizar ferramentas adequadas são passos fundamentais para identificar e aproveitar essas oportunidades de economia.
Neste artigo, vamos explorar o que é saving financeiro, como calculá-lo, os principais tipos existentes, estratégias para aumentá-lo nas compras corporativas, a diferença entre saving e cost avoidance, além de ferramentas que auxiliam na sua gestão e análise.
O que é saving financeiro?
Saving financeiro é um termo usado no mercado corporativo para representar a economia gerada por uma ação, projeto ou iniciativa. Na prática, é a diferença positiva entre o custo planejado e o custo real, ou entre um cenário anterior e um novo cenário otimizado. Em outras palavras, é o quanto uma empresa deixa de gastar ou economiza ao tomar uma decisão mais eficiente.
Diferente de simplesmente “gastar menos”, o saving financeiro está associado à eficiência, melhoria de processos, renegociação de contratos, adoção de tecnologias e até transformação digital. Não se trata de cortar custos de forma indiscriminada, mas sim de gerar valor econômico sustentável, sem perder qualidade ou desempenho.
O conceito é muito utilizado em áreas como compras, tecnologia, supply chain e consultorias, justamente porque permite tangibilizar o retorno financeiro de melhorias, otimizações e inovações.
Como calcular o saving financeiro?
Calcular o saving financeiro é, basicamente, medir a diferença entre um custo de referência (o cenário anterior, previsto ou tradicional) e o custo após a implementação de uma melhoria, negociação ou transformação.
A fórmula mais comum é simples:
Saving = Custo de Referência – Custo Real
- Custo de Referência é o valor que seria pago sem qualquer ação de melhoria. Pode ser um orçamento anterior, uma proposta inicial, ou o custo histórico.
- Custo Real é o valor efetivamente gasto após a ação, negociação ou otimização.
Na prática, por exemplo, se a empresa paga R$ 500 mil por ano em licenças de software. Após migrar para uma solução mais eficiente, passa a pagar R$ 350 mil. O saving financeiro é de R$ 150 mil ao ano. Outro exemplo, é se um time de compras negocia com um fornecedor e reduz o preço de um insumo de R$ 10, para R$ 8,50 por unidade. Comprando 10 mil unidades, o saving é de R$ 15 mil.
Quais são os principais tipos de saving financeiro de uma gestão empresarial?
Na prática, o saving financeiro pode surgir de várias frentes dentro da empresa. Ele não se limita apenas à redução de custos diretos, mas também engloba otimizações, melhorias operacionais e decisões estratégicas.
Veja os principais tipos de saving aplicados na gestão empresarial:
Saving por redução de custos diretos
- O mais comum e fácil de mensurar.
- Acontece quando a empresa negocia melhores preços com fornecedores, substitui insumos, renegocia contratos, ou busca alternativas mais baratas.
- Exemplo: renegociar tarifas de serviços, custos de logística, materiais ou tecnologia.
Saving operacional
- Resultado de melhorias na eficiência dos processos internos.
- Envolve automação, digitalização, redução de retrabalho, eliminação de gargalos e melhoria de produtividade.
- Exemplo: implantação de um sistema que reduz o tempo de processamento de pedidos em 40%.
Saving estratégico
- Gerado por mudanças estruturais ou estratégicas na operação, no modelo de negócios ou na cadeia de valor.
- Inclui centralização de operações, fusões, terceirização inteligente (outsourcing) ou adoção de novos modelos operacionais.
- Exemplo: fechar uma filial pouco rentável e centralizar operações em um hub mais eficiente.
Saving fiscal e tributário
- Economia obtida por meio de planejamento tributário, revisão de enquadramento fiscal, uso de incentivos fiscais e correção de pagamentos indevidos.
- Exemplo: readequação do regime tributário que reduz a carga de impostos.
Saving por cost avoidance (Custo evitado)
- Não é uma redução direta, mas a prevenção de aumentos de custos futuros.
- Exemplo: fechar um contrato de fornecimento com preço fixo por 3 anos, protegendo a empresa contra aumentos inflacionários.
Saving tecnológico
- Resultado da adoção de tecnologias que otimizam operações, aumentam a produtividade e reduzem custos operacionais.
- Exemplo: migração para a nuvem que elimina custos com servidores locais, manutenção e energia.
Saving sustentável (ESG)
- Economia gerada por ações sustentáveis, como redução de consumo de energia, água, papel e resíduos.
- Além do ganho financeiro, fortalece a imagem da empresa no mercado.
- Exemplo: instalação de painéis solares que reduzem a conta de energia elétrica em longo prazo.
Quais estratégias podem ser adotadas para aumentar o saving nas compras corporativas?
As compras corporativas são uma das áreas com maior potencial de geração de saving financeiro. Mas para isso, é preciso ir além da simples negociação de preços. Envolve estratégia, dados, processos e tecnologia.
Veja as principais estratégias que potencializam o saving nas compras:
Mapeamento e análise de gastos (Spend Analysis)
- Antes de economizar, é preciso entender onde o dinheiro está indo.
- Analisar categorias de compras, fornecedores, contratos e volumes permite identificar oportunidades de negociação, consolidação de fornecedores e otimização.
Negociação estratégica
- Vai além de pedir desconto, inclui:
- Avaliar o ciclo total de vida do contrato.
- Propor acordos de longo prazo com condições melhores.
- Buscar parcerias que tragam valor agregado, não só preço baixo.
Gestão e consolidação de fornecedores
- Reduzir a quantidade de fornecedores por categoria pode gerar maior poder de negociação.
- Empresas conseguem melhores condições ao concentrar volumes com parceiros estratégicos.
Automatização e digitalização dos processos de compras
- Uso de plataformas digitais de procurement, marketplaces B2B e ERPs integrados.
- Reduz erros, retrabalho, tempo de processos e permite decisões baseadas em dados, não em achismos.
Análise de Total Cost of Ownership (TCO)
- Avaliar não só o preço de aquisição, mas todo o custo envolvido no ciclo de vida do produto ou serviço (manutenção, logística, operação, descarte).
- Muitas vezes, a opção mais barata na compra não é a mais econômica no longo prazo.
Adoção de tecnologias avançadas (IA e Analytics)
- Ferramentas baseadas em inteligência artificial podem identificar padrões de consumo, sugerir fornecedores alternativos e antecipar oportunidades de saving.
- Análises preditivas ajudam a tomar decisões melhores e mais rápidas.
Programas de compliance e gestão de riscos
- Previne custos ocultos associados a fornecedores não conformes, problemas contratuais ou riscos jurídicos.
- Saving não é só pagar menos, é também evitar custos futuros.
Sustentabilidade e compras verdes
- Negociar com fornecedores sustentáveis pode gerar saving em médio e longo prazo, além de alinhar a empresa às práticas ESG, que trazem benefícios financeiros e reputacionais.
Qual a diferença entre saving financeiro e cost avoidance?
Enquanto o saving tem redução concreta de custos existentes, o cost avoidance tem prevenção de custos que poderiam surgir.
O Cost Avoidance ou Custo Evitado, é um custo que a empresa não chegou a ter, mas que teria ocorrido se nenhuma ação fosse tomada.Não gera impacto direto no caixa imediatamente, mas evita um aumento de despesas futuras ou custos extras. É mais difícil de mensurar e, muitas vezes, não aparece diretamente no balanço financeiro, mas é estratégico para a sustentabilidade financeira.
Exemplos de cost avoidance:
- Firmar um contrato de longo prazo com preço fixo para se proteger de aumentos inflacionários.
- Investir em manutenção preventiva para evitar custos futuros com quebras ou falhas.
- Alterar cláusulas contratuais para eliminar multas ou encargos futuros.
Ambos são fundamentais para uma gestão financeira eficiente. Enquanto o saving melhora os números no curto prazo, o cost avoidance protege a empresa contra riscos financeiros futuros e contribui para a saúde financeira no médio e longo prazo.
Como implementar uma governança ágil para o saving financeiro?
Governança ágil não é burocracia disfarçada de modernidade. É um modelo que permite equilibrar controle, transparência e geração de valor, sem engessar os processos. Quando aplicada ao saving financeiro, a governança ágil garante que as iniciativas de economia sejam sustentáveis, recorrentes e alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa. Veja os pilares da governança ágil para saving financeiro:
Visibilidade total dos dados
Centralizar informações sobre gastos, contratos, fornecedores e oportunidades de saving em dashboards claros e acessíveis e utilizar ferramentas de BI, analytics e gestão de compras.
Ciclos curtos de planejamento e avaliação
Aplicar modelos como OKRs (Objectives and Key Results) ou sprints para definir metas de saving por ciclo (trimestral, mensal ou por projeto), além de revisar e ajustar rapidamente, conforme os resultados e as mudanças no mercado.
Gestão colaborativa e descentralizada
Envolver áreas como compras, financeiro, tecnologia, jurídico e operações no processo de identificação e execução de oportunidades de saving e quebrar silos. O saving não é responsabilidade de um único time.
Backlog de oportunidades de saving
Manter uma lista viva de iniciativas que podem gerar economia, priorizadas por impacto, viabilidade e urgência.E também gerenciar esse backlog de forma dinâmica, como se faz em projetos ágeis.
Métricas claras e de valor
Definir KPIs não só para saving realizado, mas também para cost avoidance, tempo de ciclo de negociações, taxa de sucesso nas iniciativas e impacto no EBITDA.
Automatização e tecnologia
Usar sistemas de procurement, RPA (automação de processos), inteligência artificial e ferramentas colaborativas para acelerar negociações, análises e validação de dados.
Quais ferramentas e indicadores auxiliam na gestão e análise do saving financeiro?
Ter saving financeiro não é só conseguir negociar bem uma vez. É construir um processo estruturado, contínuo e monitorado. Para isso, empresas precisam de ferramentas que garantam visibilidade e controle, além de indicadores que tornem o saving mensurável, rastreável e acionável.
Conheça as ferramentas que apoiam a gestão de saving financeiro:
Sistemas de gestão de compras
Automação de processos de compras, controle de requisições, cotações, contratos e ordens de compra. Ex.: SAP Ariba, Coupa, Oracle Procurement, Marketplaces B2B.
Business Intelligence (BI)
A utilização de Business Intelligence para criação de dashboards com análise de gastos, saving por categoria, fornecedor, unidade e período. Ex.: Power BI, Tableau, Qlik Sense.
Sistemas ERP integrados
Centralizam dados financeiros, operacionais e contratuais e facilitam a rastreabilidade dos custos e dos savings.
Ferramentas de gestão de projetos e governança ágil
Organização de iniciativas de saving em backlog, sprints e kanbans. Ex.: Jira, Monday, Trello, Asana.
Soluções de RPA (Robotic Process Automation)
Automatização de tarefas operacionais em compras e financeiro, como conciliação de dados e geração de relatórios.
Plataformas de Inteligência Artificial e Machine Learning
Plataformas de IA e Machine Learning são recomendadas para análise preditiva de preços, avaliação de riscos, detecção de padrões de consumo e sugestões automáticas de saving.
Em um mercado cada vez mais competitivo, buscar eficiência financeira é uma necessidade estratégica. O saving financeiro não é apenas sobre cortar custos, mas sobre fazer uma gestão inteligente dos recursos, gerando valor sustentável sem comprometer a qualidade e a operação.
Empresas que estruturam seus processos, adotam tecnologias, criam uma governança ágil e trabalham com dados têm muito mais capacidade de identificar, monitorar e maximizar oportunidades de saving.
Na Objective, acreditamos que a combinação de tecnologia, dados e governança é a chave para transformar a gestão financeira de qualquer empresa. Nossas soluções ajudam negócios a construir processos mais inteligentes, automatizados e orientados à geração de valor.
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