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Cucumber: o que é e as melhores práticas para automação de testes

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No mundo do desenvolvimento de software, a qualidade e a eficiência dos testes são fundamentais para garantir a entrega de produtos robustos e confiáveis. É aqui que entra o Cucumber, uma ferramenta para ajudar na forma como as equipes de desenvolvimento abordam os testes automatizados. 

Neste artigo vamos explorar o que é e de onde surgiu o Cucumber, qual a sua relação com testes automatizados e por que se tornou uma escolha popular entre desenvolvedores e testadores.

O que é o Cucumber?

Cucumber é uma ferramenta de teste de software que suporta o Desenvolvimento Orientado por Comportamento (BDD – Behavior Driven Development). O objetivo principal do Cucumber é permitir uma comunicação eficaz e clara entre os membros da equipe técnica e os stakeholders não técnicos. Ele permite que os requisitos do software sejam escritos em linguagem natural, mas de forma que possa ser entendida por todos os envolvidos no projeto, incluindo desenvolvedores, testadores, e a equipe de negócios.

A ferramenta foi originalmente desenvolvido por Aslak Hellesøy em 2008 para o suporte a BDD em Ruby. Rapidamente ganhou popularidade devido à sua abordagem inovadora para os testes de software. Desde então, expandiu-se para suportar várias outras linguagens de programação e se tornou uma ferramenta essencial em muitos processos de desenvolvimento ágil.

Pra que serve o Cucumber?

O Cucumber utiliza uma linguagem específica chamada Gherkin para descrever o comportamento do software. Gherkin é uma linguagem simples e descritiva que detalha o comportamento do sistema sem detalhar como esse comportamento é implementado. Os cenários escritos em Gherkin servem como uma documentação viva e também como base para os testes automatizados.

As funcionalidades do Cucumber incluem

  • Leitura e execução de especificações em linguagem natural: Isso permite que os membros da equipe que não são desenvolvedores compreendam o que está sendo testado.
  • Suporte para múltiplas linguagens: Cucumber pode ser usado com várias linguagens de programação, incluindo Ruby, Java, e JavaScript.
  • Integração com ferramentas de teste: Pode ser integrado com outras ferramentas de teste como Selenium para testes de interface de usuário, ou com frameworks de mock e stub para testes de serviço.

Cucumber e Testes Automatizados

Como falamos, a principal função do Cucumber no contexto da automação de testes é servir como uma ferramenta de BDD. Aqui estão os detalhes dessa função principal:

Traduzir requisitos em testes automatizados

Ao usar a linguagem Gherkin para escrever cenários de teste em linguagem natural, o Cucumber permite que os requisitos do negócio, expressos como comportamentos esperados do sistema, sejam diretamente convertidos em testes automatizados. Os cenários escritos em Gherkin descrevem o que o software deve fazer, não como deve fazer.

Facilitar a comunicação

Ao usar uma linguagem natural e compreensível para descrever os testes, facilita a comunicação entre os desenvolvedores, testadores e stakeholders do negócio. Isso garante que todos na equipe entendam o que está sendo testado e quais são os critérios de aceitação.

Executar testes e validar comportamentos

Após escrever os cenários em Gherkin, o Cucumber pode ser usado para executar esses testes contra o software. Ele verifica se o software se comporta conforme descrito nos cenários e relata qualquer discrepância entre o comportamento esperado e o real.

Através dessas funções, a ferramenta vai garantir que o software desenvolvido esteja alinhado com as necessidades e expectativas do usuário final, promovendo uma maior qualidade e satisfação do cliente. Ele integra os processos de especificação de requisitos, documentação e teste em uma única abordagem coesa.

O que é BDD?

O Desenvolvimento Orientado por Comportamento, ou BDD (Behavior Driven Development), é uma metodologia no campo do desenvolvimento de software que visa aprimorar as práticas do Teste Dirigido por Desenvolvimento (TDD) ao integrar técnicas de especificação ágil. Concebido por Dan North nos anos 2000, o BDD se concentra em compreender e implementar o comportamento desejado do sistema a partir da perspectiva do usuário final, diferenciando-se por iniciar com definições claras e detalhadas do comportamento esperado em diversas condições, baseadas nos requisitos dos usuários.

Assim como o principal foco do Cucumber, o BDD tem como pilar central a ênfase na comunicação e colaboração efetiva entre os desenvolvedores e as partes interessadas não técnicas, como gerentes de produto e clientes. A metodologia alcança isso ao utilizar uma linguagem natural e específica do domínio para descrever os cenários de teste, permitindo que todos os envolvidos compreendam e discutam os requisitos e comportamentos do sistema sem a necessidade de se aprofundar em aspectos técnicos.

Além disso, ele apoia na especificação por exemplo, usando cenários concretos para detalhar o comportamento do sistema. Esses cenários são transformados em testes automatizados, assegurando que o software não apenas atenda aos requisitos técnicos, mas também entregue as funcionalidades mais relevantes e valiosas para o usuário. Dessa maneira, os testes escritos antes do desenvolvimento do código funcional servem como uma fundação sólida para a construção do software.

Em resumo, o BDD é uma abordagem que não só visa produzir software que funcione corretamente, mas também software que cumpra exatamente com as funcionalidades necessárias e esperadas pelos usuários. Ao enfatizar a comunicação clara, a colaboração entre equipe e stakeholders e a entrega contínua de valor, o BDD se estabelece como uma metodologia essencial para o desenvolvimento de software alinhado às necessidades dos usuários e às expectativas do mercado.

Qual a relação entre BDD e Cucumber?

Ferramentas como o Cucumber desempenham um papel significativo no BDD ao permitir a automação desses testes. Esses cenários, escritos em uma linguagem de alto nível, garantem que o sistema se comporte conforme especificado, ao mesmo tempo em que atuam como uma documentação viva do projeto. Aqui está como essa relação funciona:

Linguagem natural para especificações

BDD se concentra em criar especificações claras do comportamento esperado do sistema, usando exemplos concretos para descrever como o software deve funcionar em várias situações. Cucumber facilita essa abordagem ao permitir que essas especificações sejam escritas em Gherkin. Isso permite que pessoas não técnicas, como stakeholders de negócios, entendam e contribuam para a documentação dos testes.

Facilitando a comunicação e a colaboração

Um dos principais objetivos do BDD é melhorar a comunicação entre os desenvolvedores, testadores e o pessoal de negócios. Cucumber ajuda a realizar esse objetivo ao transformar a especificação de comportamento em linguagem natural em testes automatizados.

Automatização de testes

BDD promove a criação de testes antes do desenvolvimento do código. Cucumber é a ferramenta que permite que esses testes sejam executados automaticamente. Quando o código é implementado, os testes escritos com Cucumber podem ser usados para verificar se o software se comporta conforme o esperado, de acordo com os cenários descritos. Isso não apenas garante a qualidade do software, mas também ajuda a garantir que ele atenda às necessidades reais dos usuários.

Documentação viva

Os cenários de teste em BDD servem como documentação viva do sistema. Cucumber reforça essa característica ao permitir que esses cenários sejam facilmente lidos e entendidos por qualquer pessoa. Como os testes são atualizados continuamente para refletir as mudanças no código e nos requisitos, a documentação permanece relevante e útil ao longo do tempo.

Ou seja, enquanto o BDD é uma metodologia de desenvolvimento de software que enfatiza a importância de especificar o comportamento do sistema de maneira clara e compreensível, o Cucumber é uma ferramenta que torna essa especificação uma realidade prática. Juntos, eles ajudam a construir um entendimento comum do software em desenvolvimento, garantindo que ele atenda às expectativas dos usuários finais e dos stakeholders de negócios.

Benefícios do Cucumber

A utilização do Cucumber na redação de especificações oferece vantagens significativas que aprimoram o processo de desenvolvimento e comunicação dentro das equipes. A principal característica que já citamos durante este conteúdo é a legibilidade e a acessibilidade das especificações. Essa clareza promove uma compreensão uniforme dos requisitos do sistema e facilita a colaboração efetiva.

Além disso, outro benefício também abordado é que o Cucumber desempenha um papel crucial na validação antecipada de requisitos. Ainda antes de iniciar o desenvolvimento, ele possibilita a coleta de feedback dos stakeholders do negócio, assegurando que a equipe esteja alinhada com as expectativas e necessidades dos usuários finais. Isso ajuda a prevenir desvios e mal-entendidos, garantindo que o produto desenvolvido esteja de acordo com o que é realmente necessário e esperado.

O Cucumber também incentiva as equipes a desenvolverem e utilizarem uma linguagem ubíqua – uma linguagem comum e específica do domínio que todos os membros da equipe usam para se referir ao sistema. Isso fortalece a comunicação e reduz as chances de ambiguidade nas especificações, facilitando um entendimento mais claro do projeto e do domínio de negócio.

Outro ponto de destaque é que as especificações escritas no Cucumber não servem apenas como guias, mas também como testes automatizados executáveis. Isso significa que a documentação não é estática; ela evolui e se valida continuamente à medida que o projeto avança. Essa documentação viva assegura que a informação sobre o sistema esteja sempre atualizada e reflita o comportamento real do software.

A estrutura Given/When/Then (Dado/Quando/Então) do Cucumber, em conformidade com a gramática da linguagem Gherkin, facilita a definição clara das condições, ações e resultados esperados. 

Exemplos

Para ilustrar ainda mais a eficácia da estrutura Given/When/Then do Cucumber com um exemplo diferente, considere o desenvolvimento de uma funcionalidade em um aplicativo de gerenciamento de tarefas. A equipe deseja implementar uma nova característica que permite aos usuários adicionar lembretes às suas tarefas. Usando a linguagem Gherkin e o formato estruturado do Cucumber, o cenário poderia ser descrito da seguinte forma:

“Dado que estou logado no Aplicativo de Gerenciamento de Tarefas e visualizo a tarefa ‘Enviar relatório de projeto’. Quando eu seleciono a opção ‘Adicionar Lembrete’ e defino o lembrete para ’10 de dezembro às 14h’, então um lembrete é associado com sucesso à tarefa, e eu recebo uma confirmação ‘Lembrete adicionado para 10 de dezembro às 14h’.”

Neste cenário, a parte “Dado” estabelece o estado prévio do sistema — o usuário está logado e tem uma tarefa específica em mente. O “Quando” descreve a ação que o usuário executa, ou seja, adicionar um lembrete a uma tarefa existente. Finalmente, o “Então” especifica o resultado esperado desta ação — a confirmação bem-sucedida de que o lembrete foi adicionado.

Esse formato não apenas clarifica o que a funcionalidade deve fazer, mas também cria um teste diretamente executável que verifica se o aplicativo se comporta como esperado. Isso simplifica a comunicação entre os membros da equipe e garante que todos, desde desenvolvedores até stakeholders, entendam claramente o objetivo e o funcionamento da nova funcionalidade. Ao mesmo tempo, permite uma verificação eficaz e uma documentação viva do comportamento do sistema.

Após listarmos todos esse benefícios, fica claro que usar o Cucumber como parte do processo de desenvolvimento e teste não apenas melhora a qualidade técnica do software, mas também alinha as equipes em torno de um entendimento comum do objetivo do projeto, garantindo que o produto final esteja verdadeiramente alinhado com as necessidades do usuário e objetivos de negócio.

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