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O que você precisa saber sobre Threat Intelligence e como evitar ataques

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Threat Intelligence é um campo vital na era digital, especialmente dada a recente escalada em ataques cibernéticos. Em 2023, observou-se um aumento significativo destes ataques, destacando a sua importância, por isso abordaremos mais sobre o assunto nesse Dia da Internet Segura. 

Um relatório da Allianz Commercial revelou que, apenas no primeiro semestre de 2023, houve um crescimento de 50% nos casos de sequestros de dados (ransomware) em comparação com o ano anterior, além de um aumento em casos de extorsão a empresas​​. O Brasil, especificamente, registrou um total impressionante de 23 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2023, liderando as estatísticas na América Latina​​.

Esta tendência enfatiza a necessidade de uma abordagem proativa e bem informada para a segurança cibernética. A Threat Intelligence desempenha um papel crucial neste cenário, fornecendo insights valiosos sobre ameaças emergentes, ajudando as organizações a antecipar, identificar e mitigar ataques cibernéticos de forma eficaz. Vamos entender mais sobre o assunto neste artigo. 

O que é Threat Intelligence?

Threat Intelligence, ou Inteligência de Ameaças Cibernéticas, é o processo de coleta, análise e interpretação de informações sobre ameaças digitais potenciais e atuais. Seu objetivo é ajudar as organizações a entenderem e se prepararem melhor contra ataques cibernéticos, reduzindo assim os riscos associados à segurança digital. 

A Threat Intelligence fornece insights sobre os métodos, motivações e objetivos dos atacantes, permitindo que as empresas desenvolvam estratégias mais eficazes para proteger seus sistemas e dados. Este campo abrange desde a análise de tendências de longo prazo no cenário de ameaças cibernéticas até a identificação de ataques em andamento, fornecendo informações essenciais para uma resposta rápida e efetiva a incidentes de segurança.

Tipos de Threat Intelligence

Os tipos de Inteligência de Ameaças Cibernéticas são produzidos a partir de diferentes estágios do ciclo de vida, que abordaremos no tópico seguinte. Aqui, apresentaremos três  principais categorias: estratégico, tático e operacional. Cada um deles possui características e finalidades específicas:

Estratégico

Este tipo de Threat Intelligence é o que foca em fornecer insights e entendimentos sobre as tendências gerais e os motivos de quem realiza os ataques. É útil para definir a estratégia de segurança da organização e ajudar na tomada de decisões de negócio. É destinada principalmente aos altos executivos do setor de tecnologia da informação, como o Chief Information Security Officer (CISO), o Chief Information Officer (CIO) ou o Chief Technology Officer (CTO)​​​​.

Tático

Refere-se à informação que detalha as táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) específicos usados pelos atores de ameaças. Este tipo de inteligência é prático e imediatamente aplicável, fornecendo aos profissionais de segurança informações sobre como os atacantes operam e como melhor defender contra métodos de ataque. É utilizada para melhorar as defesas existentes, desenvolver novas contramedidas e treinar equipes de segurança sobre ameaças emergentes​​.

Operacional

Inclui informações sobre ameaças específicas e campanhas de ataque que estão ativamente visando a organização ou setor. Inclui detalhes sobre indicadores de comprometimento (IoCs), como endereços IP maliciosos, URLs, hashes de arquivos e outros artefatos associados a uma campanha de ataque específica. É vital para equipes de resposta a incidentes e operações de segurança, permitindo-lhes identificar, investigar e mitigar ameaças específicas de maneira eficaz e tempestiva​​.

Além destes, há também um quarto tipo que é o Técnico, que é menos conhecido e falado no setor, mas se concentra em pistas técnicas indicativas de uma ameaça cibernética, como linhas de assunto em e-mails de phishing ou URLs fraudulentas. Este tipo é importante porque fornece uma ideia do que procurar, tornando-se útil para analisar ataques de engenharia social​​.

Qual é o ciclo de vida da Threat Intelligence?

O ciclo de vida da Threat Intelligence é um processo contínuo que inclui seis etapas principais: Identificação de requisitos, Coleta, Processamento, Análise, Disseminação e Feedback. Este ciclo é fundamental para a construção de um programa eficaz que resulte em redução de riscos no mundo real e forneça dados acionáveis para a tomada de decisões​​​​​​. 

Identificação de requisitos

Esta fase inicial envolve a identificação das necessidades de informação da organização e o estabelecimento de objetivos para o programa de inteligência de ameaças. É crucial para garantir que os processos de CTI estejam alinhados com os objetivos de negócios e gerenciamento de riscos da organização​​​​.

Coleta

Após estabelecer os ativos críticos que precisam ser protegidos, a coleta de dados é iniciada. Os dados brutos necessários para atender aos requisitos podem ser provenientes de uma variedade de fontes internas e externas, incluindo logs de eventos de rede, feeds de dados de ameaças da indústria, análises de malware, notícias e blogs, comunidades de compartilhamento de informações e fóruns na dark web​​.

Processamento

Após a coleta, os dados brutos de ameaças precisam ser organizados e limpos para eliminar falsos positivos e redundâncias, e traduzidos em um formato utilizável. O processamento pode incluir decifração, classificação por precisão e relevância, e tradução de idiomas estrangeiros​​​​.

Análise

O objetivo principal desta etapa é identificar possíveis problemas de segurança e desenvolver insights acionáveis com base nas necessidades delineadas na fase de direção. A análise transforma a informação processada em inteligência que pode orientar decisões organizacionais​​​​.

Disseminação

Uma vez que as questões importantes são respondidas, é hora de compartilhá-las com as partes relevantes. A inteligência de ameaças é enviada a várias unidades de negócios que podem derivar valor dela e que foram identificadas durante a fase de "identificar requisitos"​​​​.

Feedback e melhoria contínua

A última etapa, ou a primeira etapa do próximo ciclo, é avaliar suas descobertas e determinar os próximos passos. Isso inclui avaliar a execução do próprio ciclo de vida da inteligência de ameaças. A inteligência de ameaças eficaz depende da melhoria contínua; não é possível melhorar a postura de segurança sem fazer mudanças consistentes em protocolos, ferramentas, processos e estratégias​​.

Este ciclo ajuda a garantir que os resultados e análises das equipes de CTI estejam corretamente alinhados com a gestão de riscos e os objetivos de negócios, garantindo que os dados de ameaças sejam efetivamente disseminados e proporcionem valor para as equipes de gestão de riscos e executivos​​.

Como aplicar a inteligência de ameaças na sua empresa?

Para responder essa pergunta, conversamos com o Carlos Oliveira, Diretor da E-TRUST, empresa líder brasileira em gestão de identidade e acessos, que nos apresentou algumas orientações. Segundo ele, “para aplicar efetivamente a Threat Intelligence, é necessário identificar e proteger seus ativos críticos, selecionando fontes confiáveis de inteligência e integrando a Threat Intelligence em seus processos de segurança já existentes. Também é importante desenvolver habilidades analíticas em sua equipe e adotar uma abordagem proativa para identificar e mitigar ameaças emergentes, avaliando e aprimorando continuamente suas estratégias”. 

Selecionamos juntos um passo a passo para começar a integrar as práticas citadas acima em estratégias de segurança. São elas:

Avalie seus ativos e riscos

Antes de mais nada, é essencial entender quais são os ativos mais valiosos da sua empresa e quais ameaças podem afetá-los. Isso ajuda a determinar o foco da sua estratégia de Threat Intelligence.

Comece com educação e conscientização

É fundamental que tanto a equipe de segurança quanto os outros funcionários entendam o que é Threat Intelligence e por que ela é importante. Promover a educação e a conscientização sobre ameaças cibernéticas é um passo crucial.

Defina objetivos claros

Estabeleça objetivos claros para o que você deseja alcançar com a Threat Intelligence. Isso pode incluir melhorar a detecção de ameaças, acelerar a resposta a incidentes ou aumentar a conscientização geral sobre segurança cibernética.

Selecione fontes de inteligência confiáveis

Há uma vasta gama de fontes de Threat Intelligence disponíveis, incluindo feeds de dados públicos e privados, relatórios de segurança e comunidades de compartilhamento de informações. Escolha fontes confiáveis que se alinhem com os riscos identificados para a sua organização.

Implemente ferramentas adequadas

Utilize ferramentas e tecnologias apropriadas para coletar, analisar e gerir dados de Threat Intelligence. Isso pode incluir soluções SIEM, plataformas de gerenciamento e ferramentas de análise de dados.

Integre a Threat Intelligence nos processos existentes

A inteligência de ameaças deve ser integrada aos processos de segurança existentes, como a análise de riscos, a resposta a incidentes e as operações de segurança do dia-a-dia.

Desenvolva capacidades analíticas

Construa uma equipe capaz de analisar e interpretar dados de Threat Intelligence. Isso inclui a capacidade de distinguir entre ameaças reais e falsos positivos, além de identificar tendências e padrões.

Adote uma abordagem proativa

Em vez de apenas reagir a ameaças conhecidas, use a Threat Intelligence para adotar uma abordagem proativa, identificando ameaças emergentes e preparando a empresa para possíveis cenários futuros.

Avalie e melhore continuamente

É crucial avaliar regularmente a eficácia das suas estratégias e fazer ajustes conforme necessário, sempre buscando melhorar as capacidades de Threat Intelligence da sua organização.

Quais os benefícios da Threat Intelligence?

À medida que a tecnologia avança e a interconectividade digital aumenta, as organizações enfrentam desafios cada vez maiores para proteger seus ativos digitais e informações sensíveis. E é nesse momento que a Threat Intelligence surge como uma resposta a este cenário, oferecendo às empresas a capacidade de entender melhor e responder de forma mais eficaz a essas ameaças.

Ainda em entrevista com Carlos, foi explicado que uma das principais vantagens da Threat Intelligence é a detecção precisa de atividades maliciosas e a capacidade de responder rapidamente a ameaças em andamento. “Isso ajuda a limitar o dano causado por ataques, minimizando o tempo de exposição a riscos. Além disso, essa abordagem proativa fornece informações sobre as tendências de ameaças, permitindo que as organizações implementem medidas de segurança mais eficazes e atualizem suas políticas de segurança para mitigar o risco cibernético”.

Outro aspecto fundamental da Threat Intelligence é a economia de recursos. Ao priorizar ameaças com base em informações concretas e contextualizadas, as empresas podem evitar a alocação de recursos para ameaças de baixa prioridade, resultando em uma utilização mais eficiente do tempo e dos recursos financeiros. “Outro benefício importante é a capacidade de priorizar nossas respostas. Com a Threat Intelligence, podemos identificar quais ameaças representam o maior risco para nossa organização e alocar recursos de forma mais eficiente. Isso não só economiza tempo e dinheiro, mas também aumenta a eficácia das nossas defesas cibernéticas”, afirma Carlos. 

A falta de análise adequada de dados em casos de segurança pode levar a decisões mal informadas e a uma resposta ineficaz a incidentes cibernéticos. Isso sublinha a importância de contar com um serviço de Threat Intelligence que não apenas colete dados, mas também os analise de maneira a fornecer informações acionáveis.

A Threat Intelligence também é essencial para ajudar as organizações a cumprir com as regulamentações de segurança cibernética. Ela não é apenas uma camada adicional de defesa, mas um componente essencial da estratégia de segurança cibernética de uma organização moderna e preparada, garantindo a resiliência e a integridade dos ativos digitais da empresa.

Por fim, Carlos reforça que, “um aspecto que frequentemente ressalto é o papel da Threat Intelligence na prevenção de danos financeiros e reputacionais. A capacidade de detectar e responder rapidamente a ameaças pode ser a diferença entre uma violação de dados menor e um desastre de grandes proporções. Isso é especialmente importante em uma era onde uma única violação pode ter consequências devastadoras para a confiança do cliente e a imagem da marca.”

Quais os desafios as empresas enfrentam ao implementar a Threat Intelligence?

Apesar da Threat Intelligence ser um passo significativo na melhoria da segurança cibernética, esse processo não está isento de desafios. Estes desafios variam desde questões técnicas até estratégicas e operacionais, exigindo um planejamento cuidadoso e uma execução eficiente.

Um dos principais desafios enfrentados pelas empresas na implementação é a parte de coleta de dados relevantes e precisos. Com a vasta quantidade de informações disponíveis, é essencial filtrar e identificar dados que sejam pertinentes especificamente para a organização. Isso requer não apenas ferramentas avançadas, mas também uma compreensão clara dos ativos e riscos da empresa.

Outro desafio significativo é a integração da Threat Intelligence nos sistemas de segurança existentes. As informações coletadas devem ser aplicadas de forma a fortalecer as defesas já existentes e aprimorar a capacidade de resposta a incidentes. Isso pode exigir revisões e atualizações substanciais nos sistemas e processos de segurança atuais.

Como medir as informações para tomar decisões eficazes?

Medir a eficácia da Threat Intelligence é uma tarefa essencial, mas complexa, que requer uma abordagem multifacetada. Para avaliar de forma eficaz a eficiência dos esforços, as empresas devem considerar vários indicadores e metodologias.

Primeiramente, um indicador chave da eficácia é a redução no número e na gravidade dos incidentes de segurança. Isso pode ser medido pela diminuição na frequência de ataques bem-sucedidos, violações de dados ou infecções por malware. Uma redução significativa nesses incidentes pode indicar que a Threat Intelligence está ajudando a organização a se antecipar e mitigar eficazmente as ameaças.

Outro aspecto é o tempo de resposta a incidentes. Organizações com uma Threat Intelligence eficaz geralmente observam uma redução no tempo necessário para detectar e responder a incidentes de segurança. Isso pode ser medido pelo tempo entre a detecção de um incidente e a sua resolução. Uma resposta mais rápida e eficiente sugere que a Threat Intelligence está sendo usada de maneira efetiva para orientar ações de resposta a incidentes.

Além disso, a eficácia da Threat Intelligence pode ser medida pela melhoria nas decisões de segurança. Isso inclui a capacidade de prever e se preparar para ameaças emergentes, bem como a implementação de medidas de segurança mais eficazes com base na inteligência coletada. 

E o resultado básico que toda empresa precisa analisar é o Retorno sobre Investimento (ROI). Avaliar o custo-benefício da implementação da Threat Intelligence, considerando tanto os custos associados quanto os benefícios obtidos. Isso inclui considerar os custos evitados através da prevenção de incidentes de segurança e os ganhos indiretos, como a melhoria da reputação e confiança do cliente.

Em suma, medir a eficácia da Threat Intelligence requer uma combinação de análise quantitativa e qualitativa. Acompanhar os indicadores corretos e analisá-los no contexto da estratégia global de segurança da organização é essencial para garantir que a Threat Intelligence esteja cumprindo seu papel fundamental na proteção contra ameaças cibernéticas.

Tendências em inteligência de ameaça: IA no foco

As tendências em inteligência de ameaça para 2024 e os próximos anos refletem uma evolução contínua no cenário de cibersegurança, com foco em abordagens mais sofisticadas e ferramentas avançadas. De acordo com o Dino, o tema IA tem ganhado forças e é o que podemos esperar de maior avanço para este ano. Aqui estão algumas das tendências chave nesse domínio.

Automação avançada para detecção e resposta

Uma das maiores tendências é o uso da IA para automatizar a detecção de ameaças e a resposta a incidentes. A IA pode analisar rapidamente grandes volumes de dados para identificar padrões suspeitos ou anômalos, possibilitando uma resposta mais rápida a incidentes de segurança. Isso não só melhora a eficiência, mas também ajuda a mitigar o impacto dos ataques.

Aprendizado de máquina para previsão de ameaças

Estamos utilizando algoritmos de aprendizado de máquina para prever ameaças antes mesmo que elas se manifestem. Isso inclui a análise de tendências emergentes no ciberespaço e a identificação de potenciais vetores de ataque, o que nos permite reforçar nossas defesas proativamente.

IA Generativa em ciberataques

Uma área de particular interesse é o uso crescente da IA generativa por cibercriminosos. Eles estão empregando tecnologias de IA para gerar phishing e outros ataques cibernéticos mais sofisticados, que são mais difíceis de detectar e bloquear. Isso requer que as equipes de segurança cibernética adotem estratégias mais avançadas e também baseadas em IA para combater essas ameaças.

Análise comportamental e IA

Outra tendência é a utilização da IA para análise comportamental. Isso envolve o uso de IA para monitorar padrões de comportamento dos usuários na rede e identificar atividades anômalas que podem indicar uma ameaça interna ou uma infiltração externa.

IA na melhoria dos controles de segurança

A IA também está sendo usada para melhorar os controles de segurança existentes. Por exemplo, algoritmos de IA estão sendo integrados em firewalls e sistemas de prevenção de intrusões para melhorar sua capacidade de detectar e bloquear ameaças avançadas.

Desenvolvimento de defesas resistentes à IA

Com o aumento do uso da IA por atacantes, também estamos focados no desenvolvimento de defesas que sejam resistentes à IA. Isso significa criar sistemas que possam identificar e reagir a ataques automatizados ou que se utilizam de IA, assegurando que nossas defesas permaneçam eficazes mesmo contra as ameaças mais sofisticadas.

Podemos dizer que a IA está no centro das tendências de inteligência de ameaças cibernéticas, tanto como uma ferramenta para melhorar a segurança cibernética quanto como um vetor de ameaça que precisa ser combatido. À medida que avançamos, a integração da IA na segurança cibernética se tornará cada vez mais sofisticada e fundamental para a proteção contra ameaças em evolução. A Threat Intelligence entra cada vez mais como uma estratégia de prevenção necessária. 

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