Governança do Futuro: como a Governança Generativa está moldando organizações para serem mais ágeis e adaptativas
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A definição tradicional de governança aborda o processo de liderança, direção e controle de uma empresa, com o objetivo de assegurar que seus objetivos sejam alcançados de maneira eficaz e ética. No entanto, diante da realidade atual, percebemos que isso não é suficiente. O conceito de governança precisa ir além, considerando elementos como cultura organizacional, motivação dos colaboradores, engajamento e cooperação. Isso nos leva a explorar novas perspectivas sobre o conceito de liderança e o bem-estar da organização. É aqui que entra o conceito de Governança Generativa.
A Governança Generativa, um modelo de governança organizacional, inspirado em um conceito dos atores Eoyang e Holladay, e difundido no livro: “Ação Adaptativa: Aproveitando a Incerteza em sua Organização”, visa facilitar a adaptação e a evolução contínua das empresas em ambientes complexos e dinâmicos.
O interesse pela governança está se tornando cada vez mais comum entre os executivos, como revelou uma pesquisa conduzida pelo IBGC, EY e TozziniFreire Advogados. A taxa média de aderência das empresas às práticas recomendadas de governança atingiu 65,3% em 2023. Esse aumento representa um crescimento de 2,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior e de 14,2 pontos percentuais em comparação com 2019, quando a pesquisa foi iniciada.
Refletir sobre a Governança Generativa é uma prática interessante para aqueles que buscam expandir seus negócios de maneira sustentável. Neste artigo, vamos explorar o conceito de Governança Generativa, os benefícios que oferece, cases de sucesso e também a relação entre ela, Diversidade e Sustentabilidade Organizacional.
O que é e quais os princípios da Governança Generativa?
Governança Generativa é um modelo de governança que se baseia na capacidade das organizações de se adaptarem e evoluírem de forma autônoma e sustentável. Nesse modelo, as regras e práticas de governança são desenvolvidas de maneira colaborativa e flexível, permitindo que a empresa se ajuste às mudanças de forma contínua e inovadora. Esse tipo de governança visa promover a autogestão, a transparência e a responsabilidade compartilhada entre os membros da organização.
Existem alguns princípios que regem a Governança Generativa são eles:
Adaptação contínua
Reconhece que o ambiente de uma empresa está em constante mudança e que a capacidade de adaptação é essencial para a sobrevivência e o sucesso a longo prazo.
Feedback oportuno
Valoriza a comunicação transparente e oportuna de informações, tanto verticalmente quanto horizontalmente na organização, para permitir ajustes rápidos e eficazes.
Participação e inclusão
Incentiva a participação ativa de todos os membros da organização na tomada de decisões e na resolução de problemas, reconhecendo a importância da diversidade de perspectivas.
Experimentação e aprendizado
Encoraja a experimentação e a inovação como meio de aprendizado contínuo, reconhecendo que o fracasso faz parte do processo de melhoria.
Propósito compartilhado
Foca na identificação e no alinhamento em torno de um propósito comum que inspire e motive os membros da organização a trabalharem juntos na busca de objetivos compartilhados.
Resiliência e auto-organização
Promove a resiliência organizacional, permitindo que a organização se adapte e se reconfigure de forma autônoma em resposta às mudanças do ambiente.
Tomada de Decisões em Sistemas de Governança Generativa
Para discutirmos a governança do futuro, é importante dissociar os padrões de trabalho do século passado: horários fixos, regras rígidas e uma mentalidade de permanência longa em um único emprego.
O cenário do trabalho está passando por transformações significativas. Se as empresas estão demandando inovação, flexibilidade, raciocínio crítico, coragem e proatividade por parte dos profissionais, também é preciso repensar o modelo de tomada de decisões dentro delas.
Na Governança Generativa, a tomada de decisões seguem abordagens colaborativas e adaptativas, refletindo os princípios fundamentais desse modelo de governança, sendo elas:
Decisões Distribuídas
A autoridade para tomada de decisões é distribuída entre os membros da organização, em vez de ser centralizada em uma única figura de autoridade. Isso permite uma maior agilidade e responsabilidade, já que as decisões podem ser tomadas mais próximas da fonte de informação ou impacto.
Participação Ativa
Os membros da organização são incentivados a participar ativamente no processo de tomada de decisões, independentemente do nível hierárquico. Isso promove o engajamento e a inclusão de diferentes perspectivas, resultando em decisões mais bem informadas e legitimadas.
Consentimento em vez de Consenso
Em algumas abordagens de Governança Generativa, as decisões são tomadas com base no consentimento, em vez de buscar o consenso absoluto. Isso significa que uma decisão pode ser implementada desde que não haja objeções fundamentadas, o que permite um processo de tomada de decisões mais eficiente e ágil.
Impactos da Governança Generativa
Segundo um relatório da Deloitte, os principais motivos para a implementação de uma estrutura de governança são o aprimoramento da qualidade das informações (84%) e a profissionalização da gestão (71%). Além disso, como aponta o estudo, as práticas de governança oferecem uma série de benefícios, incluindo redução de custos, simplificação da burocracia interna, aumento da eficiência, tomada de decisões mais fundamentadas e aprimoramento do controle dos processos.
Quando abordamos o tema da Governança Generativa, avançamos ao considerar que esse tipo de modelo antecipa as respostas e necessidades exigidas pelos mercados. A seguir, destacam-se alguns dos impactos mais significativos
Agilidade e Adaptabilidade
A Governança Generativa permite que as organizações se tornem mais ágeis e adaptáveis, capazes de responder de forma rápida e eficaz às mudanças em seu ambiente operacional, tecnológico e social.
Inovação e Criatividade
Ao promover a participação ativa de todos os membros da organização na tomada de decisões e na resolução de problemas, a Governança Generativa estimula a inovação e a criatividade, incentivando a geração de novas ideias e abordagens.
Resiliência Organizacional
A Governança Generativa fortalece a resiliência das organizações, permitindo que se adaptem e se reconfigurem de forma autônoma em resposta a desafios e adversidades, em vez de dependerem de estruturas rígidas e hierárquicas.
Alinhamento com o Propósito Organizacional
Ao envolver os membros da organização na definição e busca de um propósito comum, a Governança Generativa promove um maior alinhamento e coesão interna, permitindo que a organização avance em direção a seus objetivos estratégicos de forma mais eficaz.
Em resumo, a Governança Generativa tem o potencial de transformar positivamente a maneira como as organizações operam, capacitando-as a se adaptarem, inovarem e prosperarem em ambientes complexos e dinâmicos.
Relação entre Governança Generativa e Sustentabilidade Organizacional
A sustentabilidade organizacional refere-se à capacidade de uma empresa ou organização de operar de forma sustentável no longo prazo, considerando não apenas seus resultados financeiros, mas também seu impacto social e ambiental. E apesar do aumento do foco na sustentabilidade nos últimos anos, impulsionado pela agenda ESG (Environmental, Social, Governance), as empresas ainda enfrentam lacunas significativas nessa área, conforme revela uma pesquisa realizada pela consultoria Russell Reynolds Associates.
Segundo o estudo, 76% dos executivos entrevistados perceberam um comprometimento por parte dos CEOs com a sustentabilidade. Entretanto, apenas 50% acreditam que seus CEOs estão impulsionando a inovação necessária e realizando investimentos audaciosos para transformar suas empresas.
Uma das práticas que podem ajudar as empresas a estarem mais perto de uma sustentabilidade organizacional é a Governança Generativa, isto porque ela facilita a adaptação e evolução contínua das organizações, o que é fundamental para sua sustentabilidade a longo prazo.
Ao descentralizar a tomada de decisões e promover a experimentação e aprendizado contínuos, a Governança Generativa permite que as organizações se ajustem às mudanças em seu ambiente operacional, tecnológico e social, garantindo sua relevância e viabilidade no futuro e até mesmo o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.
Relação entre Governança Generativa e Diversidade
Outro tema que está cada vez mais comum nas pautas das empresas é a diversidade e este também é um desafio que a Governança Generativa pode auxiliar. Pelo seu próprio princípio, a Governança Generativa reconhece a importância da inclusão e da diversidade de perspectivas no processo de tomada de decisões.
Ao dissociar o poder e incentivar a participação ativa de todos os membros da organização, independentemente de sua origem, gênero, etnia, orientação sexual ou outras características, a Governança Generativa promove um ambiente onde diferentes vozes são ouvidas e valorizadas. A diversidade de pensamento e experiência trazida por uma abordagem inclusiva de Governança Generativa pode levar a decisões mais robustas e inovadoras, além de promover um ambiente de trabalho mais criativo, colaborativo e engajador.
Melhores práticas para Governança Generativa
As melhores práticas para implementar a Governança Generativa em uma organização incluem uma série de ações e abordagens que promovem uma cultura de colaboração, transparência e adaptabilidade. Aqui estão algumas delas:
Clarificar propósito e valores
Definir claramente o propósito e os valores da organização, garantindo que todos os membros compreendam e estejam alinhados com eles.
Fomentar a transparência
Compartilhar informações relevantes de forma aberta e transparente, promovendo a confiança e a colaboração entre os membros da organização.
Experimentar e aprender
Encorajar a experimentação e a inovação, reconhecendo que o fracasso faz parte do processo de aprendizado e melhoria contínua.
Focar no consentimento
Em vez de buscar o consenso absoluto, buscar o consentimento em relação às decisões, permitindo que estas sejam implementadas desde que não haja objeções fundamentadas.
Promover a responsabilidade compartilhada
Fomentar um senso de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar e sucesso da organização, incentivando todos os membros a assumirem responsabilidade por suas ações e contribuições.
Avaliar e ajustar continuamente
Regularmente revisar e avaliar o funcionamento do modelo de Governança Generativa, identificando áreas de melhoria e realizando ajustes conforme necessário para garantir sua eficácia e relevância contínuas.
Essas práticas podem ajudar as organizações a criar um ambiente de governança mais dinâmico, participativo e adaptativo, capacitando-as a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades em um mundo em constante mudança.
Cases de Sucesso de empresas que utilizaram a Governança Generativa
Embora a Governança Generativa seja uma abordagem relativamente nova e ainda em desenvolvimento, existem alguns exemplos de empresas que têm implementado com sucesso princípios e práticas associadas a essa forma de governança. Compartilhamos três cases de sucesso:
Buurtzorg
É uma empresa de enfermagem com sede na Holanda, conhecida por sua abordagem inovadora e altamente descentralizada de gestão. Ela adota uma forma de governança generativa, onde as equipes locais têm autonomia para tomar decisões sobre o cuidado ao paciente e a organização do trabalho.
Essa abordagem resultou em altos níveis de satisfação dos pacientes, eficiência operacional e engajamento dos funcionários, sem contar no grande crescimento da empresa, no ano de 2007, a equipe de cuidados comunitários e domiciliares da Buurtzorg era composta por apenas quatro enfermeiros, os quais colaboravam com médicos da família. Atualmente, a empresa conta com 10 mil enfermeiros distribuídos em 850 equipes autônomas, proporcionando assistência a mais de 70 mil pacientes anualmente.
Semco Partners
Uma empresa brasileira diversificada, conhecida por sua abordagem única de gestão participativa e democrática. Semco adota uma forma de governança generativa que valoriza a descentralização do poder e a participação dos funcionários na tomada de decisões. Os funcionários têm a liberdade de definir suas próprias metas, horários e métodos de trabalho, resultando em um ambiente de trabalho altamente adaptável e colaborativo.
Zappos
Uma empresa de varejo online com sede nos Estados Unidos, famosa por sua cultura organizacional distinta e foco na felicidade dos funcionários. Embora não seja estritamente uma implementação de governança generativa, Zappos adota muitos princípios semelhantes, incluindo transparência, autonomia e participação dos funcionários na tomada de decisões.
Esses são apenas alguns exemplos de empresas que têm adotado com sucesso princípios associados à governança generativa. Cada caso demonstra como uma abordagem mais participativa e adaptativa pode levar a resultados significativos em termos de desempenho organizacional, satisfação dos funcionários e impacto positivo na sociedade.
Diante de tudo que foi discutido fica claro que executivos e CEO não podem mais ignorar a importância da Governança Generativa. Contratar uma empresa experiente, como a Objective, para apoiar na implementação de uma governança do futuro pode ser a chave para o sucesso do seu negócio.
Nós temos profissionais qualificados e expertise em trabalhar com grandes empresas, podemos orientar sua empresa em todas as etapas do processo, desde a avaliação inicial do que é importante para a governança do seu negócio até a implementação e monitoramento contínuo. Entre em contato com os nossos especialistas.