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Data Products: por que estão redefinindo a estratégia de dados?

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Já perdi a conta de quantas vezes ouvi executivos dizerem que “dados são o novo petróleo”. A analogia ficou famosa, mas deixou escapar a parte mais importante: petróleo bruto, sem refino, não serve para nada. 

Com dados, a lógica é exatamente a mesma. E é aqui que a maioria das organizações tropeça.

O que mudou com a lógica de Data Product aplicada a dados

A ideia de Data Product não é nova, mas ganhou tração quando as empresas começaram a perceber que o modelo centralizado de dados, com um time de engenharia servindo toda a empresa, não escala. E não escala porque a demanda por dados cresce em velocidade que nenhum centro de excelência consegue acompanhar sozinho.

Data Mesh, o modelo arquitetural que popularizou o conceito de Data Product, propõe uma inversão: os domínios de negócio passam a ser donos dos seus próprios dados e responsáveis por disponibilizá-los com qualidade, documentação e contratos claros para quem precisar consumir. O time de “vendas” sabe mais sobre os dados de vendas do que qualquer engenheiro de plataforma. Faz sentido que esse time também seja responsável pelo produto de dados que expõe essas informações.

Isso muda a estratégia de dados de uma empresa porque coloca accountability onde o conhecimento de negócio existe. Não é mais um problema de infraestrutura. Vira um problema de produto, de processo e de cultura.

A virada estratégica está em tratar o dado como algo que tem dono, tem qualidade mensurável, tem SLA, tem usuário e tem propósito. 

Por que as iniciativas de dados falham, e o que o Data Product tem a ver com isso?

Existe um padrão de falha que se repete com regularidade. O projeto começa com entusiasmo, recebe orçamento, cria uma equipe especializada e define metas ambiciosas. Nos primeiros seis meses, há progresso visível. Um ano depois, o projeto está tecnicamente vivo, mas operacionalmente irrelevante. As áreas de negócio voltaram a usar planilhas.

O problema quase sempre, é que ninguém se sentiu dono do dado. A engenharia construiu a pipeline. O time de BI montou o dashboard. O negócio recebeu o relatório. Mas quando o número estava errado, ou desatualizado, ou simplesmente não fazia sentido para quem precisava tomar a decisão, a conversa sobre responsabilidade ficava circular. Engenharia culpava o dado de origem. O negócio culpava a engenharia. O BI ficava no meio.

Data Product resolve esse ponto. Ao definir que um conjunto de dados é um produto, com um product owner, com critérios de qualidade publicados e com um processo de evolução gerenciado, a organização deixa de conviver com ambiguidade de responsabilidade. O dado tem dono. O dono responde pela qualidade. Os consumidores têm onde reclamar e o que esperar.

Outro fator que derruba iniciativas de dados é a distância entre quem produz o dado e quem toma decisão com ele. Num modelo de Data Product bem estruturado, os domínios de negócio constroem os produtos de dados que consomem. Isso encurta o ciclo de feedback. Um analista financeiro que também é responsável pelo produto de dados de receita vai perceber inconsistências antes, vai corrigi-las com mais contexto e vai evoluir o produto de acordo com as necessidades reais do negócio, não com o que a engenharia imaginou que o negócio precisaria.

O que uma empresa precisa ter para que Data Product funcione de verdade?

Aqui começo a ser mais direto, porque é onde mais vejo projetos bem-intencionados naufragarem.

Cultura primeiro, tecnologia depois

Não existe plataforma, ferramenta ou framework que resolva um problema cultural. Se os times de negócio não se sentirem responsáveis pelos dados que produzem, se a liderança não cobrar qualidade de dado com o mesmo vigor com que cobra qualidade de entrega de produto, o modelo vai fracassar. Data Product exige que times que nunca pensaram sobre dados passem a pensar. 

Governança que habilita, não que controla

Existe uma armadilha comum aqui. Quando a conversa sobre governança de dados começa, existe uma tendência natural de criar comitês, processos de aprovação e camadas de controle que terminam travando a operação. Governança boa em Data Product funciona como uma API: define o contrato, garante o que está sendo prometido, mas não interfere nos detalhes de implementação de cada domínio.

Tecnologia que serve o modelo

Esse ponto merece atenção especial. A tecnologia precisa estar a serviço do modelo. Isso significa plataforma de dados com capacidade de self-service, catálogos de dados que os times de negócio consigam usar sem precisar de suporte constante e observabilidade de qualidade integrada ao ciclo de vida do produto. 

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Perguntas e Respostas sobre o tema

O que é um Data Product?

É um conjunto de dados tratado como produto: tem dono, tem qualidade mensurável, tem SLA e tem usuários definidos.

Por que o modelo centralizado de dados não escala?

Porque cria gargalo por design. Um time central nunca vai entender o contexto de cada domínio tão bem quanto quem vive nele. À medida que a empresa cresce, a demanda por dados cresce junto. 

Por que a maioria das iniciativas de dados falha?

Ambiguidade de responsabilidade. Quando o número está errado, ninguém sabe de quem é o problema. 

Por onde uma empresa deve começar?

Pela cultura, não pela tecnologia. Antes de escolher plataforma ou arquitetura, a liderança precisa decidir que os times de negócio serão responsáveis pelos dados que produzem. 

Quais são os principais riscos do modelo?

complexidade operacional no curto prazo, inconsistência de definições entre domínios e risco de fragmentação em silos modernos, mas desconectados. Nenhum é insuperável. O problema é descobri-los no meio da implementação, não antes.

Qual é a relação entre Data Product e IA?

Modelos de linguagem e agentes autônomos dependem de dados confiáveis e documentados. Sem essa base, a empresa esbarra no mesmo problema de sempre: o dado existe, mas não tem qualidade suficiente para produção. As empresas que mais avançaram em IA são, em geral, as mesmas que resolveram a maturidade de dados antes.

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