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Synthetic data e IA: o que você precisa saber

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Com a crescente adoção de Inteligência Artificial em diferentes setores, cresce também a demanda por dados de qualidade, diversos, bem estruturados e, acima de tudo, seguros. É nesse contexto que surge o conceito de synthetic data — ou dados sintéticos — como uma alternativa poderosa para treinar modelos de IA sem os riscos e limitações associados a dados reais.

Em vez de depender exclusivamente de informações sensíveis, caras ou escassas, os dados sintéticos são gerados artificialmente, mas seguem padrões estatísticos, comportamentais e estruturais semelhantes aos dos dados reais. Eles permitem simular cenários complexos, garantir privacidade e acelerar o desenvolvimento de soluções baseadas em machine learning.

Neste artigo, vamos explicar o que é synthetic data, como ele se conecta com a inteligência artificial, quais são seus benefícios e riscos — e por que ele está ganhando espaço em empresas que buscam escalar o uso de IA com mais agilidade, segurança e governança.

O que são synthetic data?

Synthetic data, ou dados sintéticos, são dados gerados artificialmente por algoritmos com o objetivo de simular dados reais. Em vez de coletar informações diretamente de usuários, sistemas ou sensores, os dados sintéticos são criados com base em regras estatísticas, distribuições probabilísticas ou modelos de machine learning, que replicam padrões presentes nos dados originais — mas sem carregar suas informações pessoais, confidenciais ou sensíveis.

Ou seja: são dados fictícios, mas realistas.

Esses dados podem ser estruturados (como planilhas com informações de clientes ou transações financeiras), não estruturados (como imagens ou vídeos gerados por IA), ou até mesmo dados sintéticos multimodais, combinando diferentes formatos para cenários complexos de teste e treinamento.

Como os dados sintéticos são gerados?

Existem diferentes abordagens para gerar synthetic data, e a escolha da técnica depende do tipo de dado, do objetivo e do nível de complexidade desejado. As principais incluem:

  • Modelos estatísticos tradicionais: baseados em distribuição de dados reais, úteis para gerar grandes volumes de dados tabulares (ex: idade, renda, localização).
  • Modelos baseados em machine learning: como redes neurais generativas (ex: GANs), que aprendem padrões a partir de um dataset original e geram novas amostras com alta fidelidade.
  • Simulações computacionais: usadas em áreas como robótica, games ou mobilidade urbana, onde se criam ambientes simulados para gerar dados em larga escala.

Qual a diferença entre Synthetic Data e dado artificial?

Os termos synthetic data e dado artificial são frequentemente usados como sinônimos, mas há uma diferença sutil — e relevante — dependendo do contexto em que são aplicados.

Synthetic data: realismo com propósito

Como falamos, a Synthetic data refere-se a dados gerados artificialmente com base em padrões reais, utilizando métodos estatísticos ou modelos de IA para reproduzir o comportamento e a estrutura dos dados originais sem utilizar as instâncias reais.

Ou seja, o synthetic data é falso do ponto de vista individual, mas verdadeiro do ponto de vista estatístico e funcional.

Dado artificial: qualquer dado que não é real

Já o termo dado artificial é mais amplo e genérico. Ele pode se referir a qualquer dado que não foi coletado diretamente do mundo real — inclusive exemplos totalmente aleatórios ou fabricados manualmente, sem compromisso com padrões ou realismo estatístico.

Exemplo:

  • Um desenvolvedor que preenche um banco de testes com nomes genéricos (“Fulano”, “Beltrano”), números aleatórios ou dados inventados está usando dados artificiais — mas não necessariamente dados sintéticos.

Em resumo:

TermoFonteRealismoFinalidade
Synthetic DataGerado por IA ou métodos estatísticos baseados em dados reaisAltoTreinamento, testes, simulações com segurança
Dado ArtificialFabricado manualmente ou aleatoriamenteVariável ou nuloPreenchimento genérico, exemplos estáticos, testes simples

Embora todo synthetic data seja um tipo de dado artificial, nem todo dado artificial é considerado synthetic data. A diferença está no grau de sofisticação, na fidelidade aos padrões reais e na aplicabilidade para projetos de IA com requisitos técnicos e éticos rigorosos.

Quais os benefícios do uso de Synthetic Data?

O uso de dados sintéticos tem ganhado espaço nas empresas que buscam escalar a adoção de inteligência artificial com segurança, agilidade e menos barreiras regulatórias. Ao simular dados com alta fidelidade aos padrões reais, mas sem os riscos associados a informações sensíveis, o synthetic data abre novas possibilidades para inovação — especialmente em ambientes onde privacidade e disponibilidade de dados são desafios constantes.

Confira os principais benefícios do uso de synthetic data:

1. Privacidade garantida

Como os dados sintéticos são gerados artificialmente e não possuem vínculo direto com indivíduos reais, eles oferecem uma camada extra de segurança para projetos que envolvem dados pessoais ou sensíveis, como nas áreas de saúde, finanças e energia.

Isso facilita a conformidade com leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o GDPR, ao mesmo tempo em que viabiliza experimentação e desenvolvimento com menor risco.

2. Maior agilidade para treinar modelos de IA

Synthetic data permite a geração rápida e controlada de grandes volumes de dados, o que acelera o treinamento de modelos de machine learning, principalmente em cenários onde dados reais são escassos, incompletos ou desbalanceados.

3. Simulação de cenários raros ou extremos

Nem sempre os dados reais contêm exemplos suficientes de casos de exceção ou eventos raros. Com dados sintéticos, é possível gerar esses cenários sob medida, melhorando a robustez dos modelos e sua capacidade de generalização.

Exemplo: simular fraudes financeiras ou falhas críticas em sistemas industriais, que são raras mas impactantes.

4. Redução de custos operacionais e tempo de coleta

Coletar, limpar, rotular e validar dados reais pode ser caro e demorado. Com dados sintéticos, é possível reduzir significativamente o tempo e o custo associados à preparação dos dados — e escalar a base de forma controlada.

5. Ambientes de teste mais seguros e realistas

Synthetic data é ideal para criar ambientes de teste controlados, sem riscos de exposição de dados reais. Isso é especialmente útil em etapas de QA, validação de sistemas ou criação de ambientes sandbox.

6. Facilita a colaboração entre times e parceiros

Em projetos que envolvem múltiplas empresas, fornecedores ou equipes distribuídas, compartilhar dados reais pode ser um desafio. Dados sintéticos viabilizam essa troca sem comprometer a confidencialidade ou a segurança da informação.

Quais são as limitações e riscos do uso de Synthetic Data?

Embora o uso de dados sintéticos ofereça diversos benefícios, como mais privacidade, escalabilidade e agilidade em projetos de IA, é importante compreender que essa não é uma solução mágica. Como qualquer tecnologia, ela traz desafios e limitações que precisam ser considerados para garantir resultados reais, éticos e sustentáveis.

A seguir, listamos os principais riscos e cuidados no uso de synthetic data:

1. Qualidade dos dados sintéticos depende da base original

Se os dados reais usados como base para gerar os sintéticos forem incompletos, enviesados ou mal estruturados, os dados gerados artificialmente tenderão a reproduzir (ou até amplificar) essas distorções.

Risco: modelos treinados com dados sintéticos podem aprender padrões incorretos ou reforçar vieses existentes.

2. Falsa sensação de segurança em relação à privacidade

Apesar de não conterem informações reais, dados sintéticos mal gerados — especialmente os que tentam replicar demais os registros originais — podem permitir reidentificação indireta ou expor estruturas sensíveis.

Cuidados importantes:

  • Avaliar a taxa de similaridade com os dados reais;
  • Utilizar técnicas de validação de privacidade (como o Privacy Risk Score);
  • Evitar overfitting no processo de geração.

3. Limitações para casos extremamente complexos ou contextuais

Dados sintéticos funcionam muito bem em contextos tabulares ou com padrões previsíveis. No entanto, em situações altamente contextuais (como comportamento humano subjetivo ou decisões com base cultural), a capacidade de simulação ainda pode ser limitada.

Exemplo: simular nuances comportamentais em decisões jurídicas ou interações humanas profundas em sistemas de recomendação pode exigir dados reais para complementar o treinamento.

4. Falta de maturidade na adoção

Por ser uma tecnologia relativamente nova no mercado corporativo, ainda existe baixa maturidade em algumas ferramentas e processos relacionados à geração, governança e validação de dados sintéticos.

Isso pode levar a erros estratégicos como:

  • Geração de dados irrelevantes;
  • Falta de rastreabilidade;
  • Escolha inadequada de ferramentas ou técnicas.

5. Possível desalinhamento com modelos de produção

Modelos treinados exclusivamente com dados sintéticos podem ter ótimo desempenho no ambiente de testes, mas não necessariamente replicar essa performance no mundo real — especialmente se houver variações de contexto, usuários ou integrações.

Quais ferramentas ou plataformas permitem gerar Synthetic Data com qualidade?

A geração de dados sintéticos pode ser feita por meio de diferentes técnicas — desde modelos estatísticos até algoritmos avançados de inteligência artificial, como as GANs (Redes Geradoras Adversárias). No entanto, para obter dados de alta qualidade, realistas e seguros, é essencial contar com ferramentas especializadas que ofereçam precisão, controle e governança.

Abaixo, listamos algumas das principais plataformas e frameworks utilizados atualmente para gerar synthetic data com confiabilidade:

1. MOSTLY AI

Uma das plataformas mais conhecidas globalmente, a MOSTLY AI utiliza IA para gerar dados sintéticos estruturados com preservação de padrões estatísticos e garantia de privacidade.

Destaques:

  • Geração de dados sintéticos realistas para ambientes regulados (financeiro, saúde);
  • Interface acessível e fácil integração com sistemas de dados;
  • Possui validações de privacidade e conformidade com GDPR/LGPD.

2. Synthea

Voltada para o setor de saúde, a Synthea é uma ferramenta open-source que gera dados clínicos sintéticos, simulando jornadas completas de pacientes.

Destaques:

  • Ideal para testes de sistemas hospitalares e desenvolvimento de IA em saúde;
  • Baseada em padrões internacionais de interoperabilidade (HL7, FHIR);
  • Gratuita e com comunidade ativa.

3. Gretel.ai

Gretel oferece uma plataforma de geração e anonimização de dados com foco em machine learning e segurança de dados.

Destaques:

  • Suporte a múltiplos formatos (estruturado, texto, tempo real);
  • APIs para integração direta em pipelines de dados;
  • Ferramentas de avaliação de qualidade e risco de privacidade.

4. YData

Plataforma que une geração de dados sintéticos, profiling de qualidade e desenvolvimento de modelos. Tem como diferencial o foco em data-centric AI.

Destaques:

  • Ferramentas para mitigar viés e desbalanceamento em datasets;
  • Suporte para Python (SDK) e notebooks interativos;
  • Muito utilizada para melhorar performance de modelos preditivos.

5. SDV (Synthetic Data Vault)

Framework open-source mantido pela DataCebo e desenvolvido no MIT, ideal para times técnicos que desejam controle total sobre o processo de geração.

Destaques:

  • Suporte para tabelas relacionais, dados de séries temporais e dados categóricos;
  • Flexível, com integração nativa em ambientes Python;
  • Muito usado em POCs e projetos acadêmicos.

Como Synthetic Data aceleram projetos de analytics e machine learning?

Projetos de analytics e machine learning dependem, essencialmente, de uma base sólida de dados — e é aí que muitas iniciativas enfrentam obstáculos. Dificuldades como escassez de dados reais, barreiras legais, demora na coleta, dados desbalanceados ou sensíveis costumam atrasar a evolução dos modelos e limitar experimentações.

Os dados sintéticos surgem como uma solução poderosa para quebrar essas barreiras e acelerar o ciclo de desenvolvimento de ponta a ponta.

Veja como eles impulsionam projetos de dados e IA na prática:

1. Reduzem tempo de preparação e coleta de dados

Gerar dados sintéticos sob medida permite que os times iniciem experimentos e validações de modelos sem depender da coleta ou limpeza extensiva de dados reais — que muitas vezes são demoradas, caras e burocráticas.

Resultado: menos tempo entre a definição do problema e o primeiro modelo treinado.

2. Facilitam a experimentação com diferentes cenários

Ao gerar dados com características variadas, desbalanceadas ou raras, os dados sintéticos ampliam a capacidade de simular cenários extremos ou complexos, melhorando a capacidade de generalização dos modelos.

Exemplo: testar como um modelo de crédito se comporta diante de inadimplência massiva ou fraudes pontuais.

3. Eliminam entraves legais e de compliance

Em setores regulados, usar dados reais pode exigir longos ciclos de aprovação ou anonimização. Dados sintéticos, por não estarem ligados a indivíduos reais, permitem o avanço dos projetos com mais agilidade e menos risco, desde que a geração siga boas práticas de privacidade.

4. Aprimoram a qualidade e o equilíbrio dos datasets

Modelos de machine learning performam melhor quando treinados com dados diversos e balanceados. Dados sintéticos ajudam a corrigir desbalanceamentos em classes raras, preenchendo lacunas críticas sem “duplicar” ou distorcer os dados reais.

5. Favorecem a colaboração entre times e parceiros

Em muitos projetos, o compartilhamento de dados entre áreas ou empresas é um gargalo. Com dados sintéticos, é possível compartilhar datasets representativos sem comprometer sigilo ou segurança, facilitando a co-criação e o avanço de modelos em ambientes colaborativos.

Synthetic Data e projetos de IA

A inteligência artificial depende, essencialmente, de dados — em volume, variedade e qualidade suficientes para alimentar algoritmos e permitir que eles aprendam padrões, tomem decisões e façam previsões com precisão. É nesse contexto que os dados sintéticos ganham protagonismo, atuando como um habilitador para o avanço de projetos de IA com mais agilidade, segurança e controle.

A relação entre synthetic data e IA vai além da substituição de dados reais: trata-se de uma estratégia para superar os principais obstáculos que hoje limitam o uso da inteligência artificial em escala.

Veja como os dois elementos se complementam:

1. Dados sintéticos ampliam o acesso à IA

Empresas que enfrentam restrições de dados — seja por questões legais, sensibilidade da informação ou escassez — muitas vezes deixam de explorar soluções baseadas em IA. Com synthetic data, essas barreiras são removidas, permitindo que mais áreas e times testem e adotem IA com menos fricção.

2. Treinamento mais rápido e ético de modelos

Synthetic data permitem treinar modelos sem risco de expor dados pessoais ou confidenciais, reduzindo preocupações com LGPD ou GDPR. Isso viabiliza o uso ético da IA desde o início, promovendo a chamada IA responsável.

3. Criação de datasets mais ricos e representativos

Com dados sintéticos, é possível simular diferentes públicos, comportamentos, situações de risco ou exceção — enriquecendo os dados de treino e resultando em modelos mais robustos e justos.

Exemplo: evitar viés em modelos de crédito ao gerar dados sintéticos representando grupos menos presentes na base real.

4. Apoio a todo o ciclo de vida da IA

Desde o desenvolvimento de MVPs, passando por testes em ambientes seguros, até o monitoramento e revalidação de modelos já em produção, os dados sintéticos oferecem flexibilidade e controle em todas as etapas do ciclo de IA.

O uso de synthetic data representa uma virada de chave para empresas que desejam explorar o potencial da inteligência artificial com mais velocidade, segurança e governança. Eles permitem contornar limitações operacionais, ampliar o acesso a dados, proteger a privacidade e aumentar a qualidade dos modelos de machine learning — tudo isso sem comprometer a responsabilidade no uso da tecnologia.

Mas para colher esses benefícios, é fundamental contar com uma abordagem técnica madura e alinhada à realidade do negócio.

Na Objective, unimos nosso conhecimento em engenharia de software, dados e IA para ajudar empresas a estruturarem soluções inteligentes, confiáveis e seguras, desde a estratégia até a entrega. Atuamos com foco em inovação responsável, garantindo que os dados — reais ou sintéticos — sejam tratados com ética, precisão e impacto direto nos resultados.

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