Testador de Software x Cultura de Testes: qual a melhor opção para sua empresa?
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O principal pilar do desenvolvimento de software é a qualidade do código. Esse princípio norteia todo o processo e envolve aspectos de segurança, desempenho e velocidade do sistema. Dessa maneira, para garantir entregas de qualidade, é preciso realizar testes de software. A partir dessa premissa, é fundamental entender qual a melhor alternativa para sua empresa: contratar pontualmente um testador de software ou implementar uma cultura de testes de software?
Nesse artigo, um dos especialistas em agilidade da Objective, Wagner Fusca, responde e explica de forma didática as diferenças entre realizar testes de software pontuais e estabelecer uma cultura de testes na sua empresa. Porém, antes de falar das diferenças entre um testador de software e uma cultura de teste, vale a pena explicar o conceito principal deste artigo:
Teste de software é um processo no qual um sistema é avaliado para verificar se atende aos requisitos especificados e se está funcionando corretamente. Ele envolve a execução de casos de teste para identificar erros, bugs ou falhas, bem como avaliar a qualidade, usabilidade e desempenho do software. Uma analogia simples que exemplifica o teste de software é pensar nos códigos como camadas de uma cebola. Inicialmente, você realiza testes em códigos menores, progredindo para os mais complexos à medida que a robustez da cultura de teste e o conhecimento dos profissionais evoluem.
O teste de software é essencial para garantir a confiabilidade e a qualidade do produto final antes de ser lançado no mercado. Em um evento de alta demanda, como a Black Friday, inúmeros testes são conduzidos para assegurar o perfeito funcionamento do sistema.
Qual a diferença entre em implementar uma cultura de testes e optar por serviços pontuais?
Uma cultura de testes difere de um projeto pontual, cultura não é algo passageiro, mas sim uma prática contínua. Se você contrata alguém apenas para realizar testes e depois ir embora, não está cultivando uma cultura, o que torna o seu desenvolvimento de software propenso a falhas no primeiro contratempo ou sob pressão de entrega. Em casos como esse a qualidade pode ser esquecida facilmente.
Já quando os testes fazem parte da cultura da empresa, isso não é negligenciado. Podemos fazer um paralelo com alguém que pratica exercícios regularmente. É natural que essa pessoa reserve um espaço para a atividade, encontre tempo e, quando se torna um hábito, o esforço necessário diminui. No da automação de testes de software, isso é algo bastante comum.
Todo desenvolvimento de software inevitavelmente terá bugs. A diferença entre um testador de software e uma cultura de teste é onde você vai encontrar esse bug. Encontrar falhas no início do projeto, antes do lançamento do produto, resulta em custos e riscos significativamente menores.
Exemplos de desafios que uma empresa pode enfrentar sem uma cultura de testes estabelecida
Existem diversos casos de empresas que tiveram prejuízos imensuráveis por não identificarem erros, um deles foi o do Boeing 737 Max. Por um erro de software, o MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra) foi ativado de maneira inadequada em resposta a dados incorretos de sensores. Esse bug levou o sistema a erroneamente empurrar o nariz da aeronave para baixo, colocando o avião em uma descida não controlada.
Os acidentes envolvendo o 737 Max ocorreram em outubro de 2018 (Lion Air, na Indonésia) e março de 2019 (Ethiopian Airlines, na Etiópia). Essas tragédias resultaram na perda de centenas de vidas e levaram à proibição temporária de voos do 737 Max em todo o mundo.
Os recalls de carros são outro exemplo de prejuízo. Por não detectar erros dentro de casa, esse tipo de ação não apenas gera prejuízos financeiros diretos, mas também têm implicações profundas na reputação da empresa, na confiança do consumidor e na competitividade do mercado. Portanto, as empresas automotivas têm forte incentivo para investir em práticas robustas de controle de testes de qualidade e prevenção de problemas que possam levar a recalls.
Por que é importante o envolvimento do desenvolvedor na realização de testes de software?
A prática de realizar testes deve ser inerente ao dia a dia do desenvolvedor. Isso porque, a ausência de testes desafia a ética profissional, pois pode colocar em risco dados de consumidores, operações financeiras e causar até risco de acidentes como veremos mais para frente.
Por isso, vale ressaltar que o teste de software não está atrelado apenas à senioridade, mas sim ao comprometimento, um valor intrínseco que a Objective reconhece e coloca como referência no mercado.
É importante lembrar que em um cenário ideal, é esperado que o desenvolvedor conduza testes de forma automatizada. Se a ênfase permanecer exclusivamente nos testes manuais a longo prazo, isso pode se transformar em um problema.
Como otimizar o teste de software visando aumentar a produtividade e reduzir erros de forma eficiente?
O mais importante de quem está liderando o projeto é ter a visão do parâmetro 80/20, ou seja, qual é a parte vital do software. Ao identificar essa parte, é necessário criar automação para este módulo. Se o software não está separado em módulos vale criar versões dele mesmo utilizando outros serviços e técnicas.
As primeiras automações devem abranger os bugs, automatizando a validação para evitar sua recorrência, interceptando os problemas antes que alcancem o cliente, com isso você já economiza tempo de retrabalho. Além disso, automatize a construção do software, incorporando os princípios do DevOps.
Cada vez que construímos com automação, é possível realizar testes abrangentes, garantindo uma saída testada e livre de erros, especialmente se estiver no nível do teste unitário. Essa abordagem proporciona tranquilidade e eficácia no processo de desenvolvimento.
Qual a importância da colaboração em uma cultura de testes?
Esse é um ponto importante, existe uma competição entre testador e desenvolvedores, o testador pode acreditar que o trabalho dele é encontrar o erro do desenvolvedor, mas não, o erro é do software.
A colaboração é a chave. Quando há uma comunicação eficaz e uma abordagem colaborativa, todos se tornam responsáveis pelo todo. Sem a devida colaboração, a equipe pode acabar fazendo horas extras para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados. Com uma colaboração efetiva, a entrega tende a ser precisa e eficiente.
A automação é um importante recurso de colaboração, pois proporciona feedback rápido e respostas instantâneas. A integração entre testes e DevOps também é crucial, afinal não se trata apenas de cuidar do seu próprio trabalho, mas de compreender e contribuir para o todo. Essa mentalidade de equipe não apenas facilita o processo, mas também resulta em entregas mais sólidas e satisfatórias para todos os envolvidos.
Como medir o progresso e quais os indicadores para implementar uma cultura de testes?
O acompanhamento dos indicadores é fundamental no processo de teste. O primeiro indicador crucial é a cobertura de teste, que revela o percentual do código testado. Se esse número está em 0%, significa que nenhum trecho do código foi testado. Além disso, é essencial monitorar o indicador de retrabalho, pois à medida que a cobertura de teste aumenta, geralmente, o retrabalho diminui.
Outro indicador importante é o custo da versão, gerenciar esse custo garante que o processo de teste seja eficiente e não se torne oneroso. A segurança é outra área vital a ser considerada, afinal identificar as falhas de segurança e quantificar o quão vulnerável o sistema está é um indicador importante.
Porém, tão importante quanto a implementação é compreender o contexto e a produtividade, uma vez que não faz sentido criar cenários automatizados sem melhorar a eficiência. O ponto inicial consiste em reunir dados dos cenários e monitorar as alterações semanalmente, compartilhando essas informações de forma transparente com o cliente.
Abaixo destacamos os indicadores fundamentais nesse processo:
- Cenários: refere-se ao número e à diversidade de cenários de teste automatizados. Cada cenário pode representar um caso de uso específico ou uma funcionalidade do software. A tendência é que o número de cenários aumente, pois mostra a abrangência de automação de testes. A Objective já deu início a um projeto em que, inicialmente, contava com 52 testes manuais. Após seis meses de consultoria, alcançamos um resultado de mais 2 mil testes automatizados.
- Produtividade: mede o número de tarefas executadas na semana, neste mesmo projeto citado anteriormente, a equipe saiu de 18 tarefas entregues semanalmente para 70 tarefas.
- Tempo para Build: refere-se ao tempo necessário para construir e compilar o software, desde o início até a conclusão. A tendência é que o tempo para build seja cada vez mais curto, pois mostra que as execuções de testes estão mais rápidas e mais frequentes.
- Custo por Build: é o custo da versão, gerenciar esse custo garante que o processo de teste seja eficiente e não se torne oneroso, a medida que a cultura de automação amadurece a produtividade aumenta consequentemente o custo de build diminui. Um cliente da Objective no início do projeto tinha um custo de Build de $2.100 no final o custo era de apenas $4. Este caso demonstra que o investimento em formar uma cultura de automação de testes aumenta não só a sua capacidade competitiva da empresa como reduz custos.
- Cobertura de teste: revela o percentual do código testado. Se esse número está em 0%, significa que nenhum trecho do código foi testado, a tendência é que esse número chegue a 100% com o amadurecimento da cultura da automação de testes.
- Retrabalho: é essencial monitorar o indicador de retrabalho, pois à medida que a cobertura de teste aumenta, o retrabalho diminui, consequentemente os custos de um projeto são menores.
Quais são os principais desafios na implementação de uma cultura de testes?
O primeiro desafio e talvez o maior deles está na gestão do tempo, um recurso sempre escasso nas empresas. As demandas constantes e prazos apertados tornam difícil alocar tempo para testes, visto que incorporar essa prática pode inicialmente reduzir a performance. Estudos sugerem uma diminuição de 15 a 20% na produtividade, mas é crucial perceber que esse investimento inicial resulta em menos bugs, consequentemente, menos manutenção a longo prazo.
Embora possa parecer inicialmente que o time que passou a testar está mais lento e menos produtivo, a cultura de testes contribui para a sustentabilidade do software ao longo do tempo.
O segundo desafio é o retorno financeiro, que pode não ser imediato. Após o início da implementação de testes, pode levar de 3 meses a até 12 meses para que os benefícios financeiros se tornem evidentes. No entanto, é óbvio que quanto menos retrabalho e dedicação à correção de bugs a equipe precisar, maiores serão os ganhos.
O terceiro desafio é a complexidade do software atual, muitas vezes representada pelo legado tecnológico. Lidar com problemas acumulados ao longo do tempo é como desembaraçar um novelo de lã com mil fios. Embora analisar cuidadosamente esse contexto não seja um processo simples, é absolutamente necessário para aprimorar a qualidade e eficiência do software.
Superar esses desafios requer comprometimento e uma visão a longo prazo, pois os benefícios de uma cultura de testes bem estabelecida são cruciais para a excelência contínua no desenvolvimento de software.
Quais as vantagens para uma empresa em implementar uma cultura de testes?
Os ganhos de uma empresa ao implementar a cultura de teste vão desde a redução do trabalho até aumento de novas funcionalidades, afinal quanto maior a capacidade de entrega maior a sua competitividade. Com um testador de software isso não é possível, é necessário estabelecer uma cultura de entrega e melhoria contínua.
Em um cenário hipotético, imagine se o aplicativo Whatsapp não conseguisse mais entregar novas funcionalidades, atualizações ou atender às exigências do usuário, um concorrente poderia entregar novas funcionalidades e conquistar parte do mercado.
Como os serviços de consultoria podem solucionar as barreiras técnicas e culturais na implementação de uma cultura de testes?
Integrar atividades de teste ao longo do desenvolvimento é crucial, mas requer um planejamento cuidadoso para evitar atrasos nas entregas. A consultoria desempenha um papel fundamental, introduzindo processos e modelos. Na Objective há uma abordagem colaborativa que envolve técnicas como automação com DevOps e a implementação de modelos de maturidade. Ao longo do tempo, a perda inicial de produtividade é compensada por resultados significativos.
Uma história de sucesso construída por uma das principais empresas de telecomunicação em parceria com a Objective foi a aprimoração de um canal digital de atendimento ao cliente. O intuito era agregar valor à entrega e à metodologia de trabalho da equipe, proporcionando a capacidade técnica necessária para a empresa de telecom.
Os resultados foram incríveis: a organização saiu de 52 testes manuais para mais de 2 mil testes automatizados, sem contar o prazo de entregas que em um período posterior a implementação da automação de testes se tornou três vezes mais eficaz. Esse projeto demonstra como investir em qualidade durante o desenvolvimento pode resultar em benefícios substanciais a longo prazo.
Como a Objective ajuda as empresas nesse processo?
O trabalho da Objective não consiste apenas em organizar o desenvolvimento de software e corrigir bugs, mas também em incorporar o elemento crucial: o compartilhamento de conhecimento através de uma espécie de mentoria, que promove a resolução de problemas ao mesmo tempo que compartilha conhecimento.
A Objective inicia um projeto com um prazo definido e quando o cliente atinge um amadurecimento da cultura de teste software, que geralmente é estabelecido em seis meses, o trabalho é encerrado.
O diferencial da Objective reside na capacidade de executar e implementar soluções internamente em nossos próprios projetos, já são mais de 55 mil testes que evidenciam a habilidade em operar eficientemente. Além disso, a Objective não está presa a ferramentas específicas, pois é necessário abordar desafios com base em conceitos sólidos, independentemente da ferramenta utilizada.
Sua empresa tem desafios na implementação efetiva de uma cultura de testes? Converse com nossos especialistas e saiba como nossa consultoria pode ajudar a transformar a qualidade e a segurança das entregas da sua empresa!
