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XP 2019: saiba o que rolou em um dos melhores eventos de Agile do mundo

  • Inovação e Gestão

Maio passou voando, mas marcou profundamente os corações dos entusiastas do Ágil com o XP 2019 em Montreal. O evento, que é um dos mais antigos e respeitados de Agilidade em todo o mundo, trouxe o que há de mais moderno em Agile. Os Agile Coaches, Marcelo Walter e Danilo Garcia marcaram presença e contribuíram com uma super palestra no último dia do evento.

De maneira geral, o XP 2019 teve um forte apelo acadêmico. Além de ter sido realizado em uma das maiores universidades do Canadá, a ETS, grande parte dos participantes eram doutores oriundos do mundo acadêmico e embasaram suas palestras em suas próprias pesquisas. Foi também a primeira edição do evento em um país americano, já que até então o evento fora sediado em países europeus.

Contando com 4 Keynote Speakers de peso para a comunidade ágil, o XP 2019 promoveu tantas palestras e workshops que foi necessário marcar 6 delas simultaneamente para cada horário da agenda!

Impossível participar de todas; porém, aqui vão alguns insights do Marcelo Walter e do Danilo Garcia sobre as que mais geraram impacto no evento:

Kanban Policy Game

Logo no primeiro dia, houve o workshop: “Experience the Kanban Policy Game – Improving Performance Through Evolutionary Change”. Ministrada pelos experts, Jason Newberg e Rakshinda Aslem, a sessão se baseou em um jogo pouco conhecido de Kanban aqui
no Brasil.

E a ideia é simples: são rodadas demandas em um quadro kanban comum, mas
a cada rodada é acordado um set de políticas diferentes para cada equipe. Essas políticas simulam acordos em ambientes de trabalho reais no processo de desenvolvimento de softwares. No segundo round, as políticas mudam, e ao fim da brincadeira, é possível ter uma visão clara de como elas impactaram o resultado da atividade.

Exercícios como esse são ótimos para dar um choque de realidade nos times, aplicando as práticas da metodologia Kanban.

Arquitetura no mundo Agile

Logo em seguida, nossos agilistas encararam o workshop “Architecture in an Agile World”, facilitado pelos especialistas, Dennis Mancl, Steven Fraser e Werner Wild.

A questão em torno da apresentação está no fato de que nem sempre Arquitetura e Agile se entenderam. De forma geral, arquitetos buscam criar um planejamento com linhas bem claras de ação. Ao contrário, o Ágil prega a constante adaptabilidade do projeto a mudanças durante a produção.

Esses que antes eram antagônicos, encontraram, contudo, um caminho de convergência e estão cada vez mais próximos. E era exatamente essa a premissa da palestra: as dificuldades e as soluções envolvendo a relação entre Agile e Arquitetura.

Vale ressaltar um ponto interessante. Um dos palestrantes, Dennis Mancl, havia participado de um workshop sobre arquitetura e agilidade do Marcelo Walter, no qual os agilistas se conheceram e realizaram uma rica troca de conhecimento.

Desenho de duas pessoas trabalhando e ao lado a escrita " Polêmica sobre a qualidade das entregas em Agile"

Polêmica sobre a qualidade das entregas em Agile

Ao final do primeiro dia do XP 2019, uma apresentação de um grupo multicultural de acadêmicos da ETS mostrou alguns dados estatísticos, de certo modo, polêmicos.

Em uma das amostras, Yvan Petit representou a equipe e tentou demonstrar que a aplicação de metodologias ágeis nas empresas, de modo geral, estava diminuindo a qualidade das entregas. Apesar de estarem se baseando em dados, nossa dupla de agilistas concorda em afirmar que esses podem muito bem estar “viciados”.

Na realidade, a agilidade é comumente confundida com o que chamamos de “go horse” process: mandar bala na codificação para cumprir prazos. Obviamente, isso acarreta uma piora na qualidade das entregas, em função da falta de planejamento e da desconsideração dos testes.

Infelizmente, muitos profissionais acreditam que a automação de testes é um mero acessório. A realidade, porém, é que os testes são a base para a viabilização do Ágil.

Seria a hora de voltar às raízes e trazer o Extreme Programming à tona? A polêmica
ainda suscitou essa reflexão. O dia acabou assim, com uma discussão saudável da nata do Agile global.

#NoFrameworks: como tomar o Agile de volta!

O segundo dia de XP 2019 começou com uma palestra do gigante, Scott Ambler: “#NoFrameworks: How We Can Take Agile Back!”. Scott é um membro muito influente da comunidade Agile; presente desde a década de 1990, é pai do framework Disciplined Agile Delivery (DAD).

Ele, que por muito tempo defendeu a aplicação pura de certos frameworks, fez um “mea culpa”, voltando atrás e promulgando a ideia de que cada empresa possui um contexto e, portanto, os frameworks devem ser adaptados a essas realidades distintas.

Scott segue afirmando que Agile é transformar o contexto da empresa de acordo com suas particularidades, cultura, necessidades, etc. Conceito esse que é partilhado pelo Agile Team da Objective Solutions e está bastante ligado ao Kanban.

Muito além dessas afirmações, o keynote speaker também fez ressalvas a despeito de seus próprios livros e condenou o “culto” ao Scrum e ao SAFe, ainda muito presente entre gestores e líderes técnicos. Indo de encontro aos referidos frameworks, Scott Ambler demonstrou dados de uma impactante pesquisa sua:

‘Scrum promises that you can do twice the work in half the time [Sutherland]. Sadly this claim of 4X productivity improvement doesn’t seem to hold water in practice.

A recent study covering 155 organizations, 1.500 waterfall and 1.500 agile teams found actual productivity increases of agile teams, mostly following Scrum, to be closer to 7 to 12 percent [Reiver].

At scale, where the majority of organizations have adopted SAFe, the improvement goes down to 3 to 5 percent.’

Fonte: Choose Your WoW!: A Disciplined Agile Delivery Handbook for Optimizing Your Way of Working (WoW)

Ou seja, baseando-se em dados reais, Scott descobriu que, ao contrário de quadruplicar a produtividade, o Scrum a aumenta entre 7 e 12% apenas . O SAFe, ainda mais problemático, reduziria a produtividade entre 3 e 5%. Polêmicas à parte, foi um keynote de peso que aproximou ainda mais nossos coaches do aclamado autor.

Segurança em ambientes com agilidade

Na sequência, houve o painel “Security and Privacy Best Practices for Software Development”, no qual o especialista, Steven Fraser, desafiou os participantes a encararem as questões conflituosas envolvendo segurança digital e Agile.

A questão gira em torno de que, muitas vezes, o Ágil esbarra em processos muito rigorosos relacionados à política de segurança das empresas. Os processos podem acabar atravancados em função da perda da autonomia do time, cuja ação seria tolhida pelo rigor da cibersegurança da companhia.

Nesse contexto conflituoso, o painel buscou abordar as formas de contornar a questão da segurança, como a criação de protocolos mais flexíveis e a interação entre os times.

Desenho de uma pessoa analisando uma página e ao lado a escrita " Sef Selection: Liberdade para escolher seu time"

Self Selection: liberdade para escolher o seu time

Dar liberdade para escolher com quer trabalhar? Essa é a escolha óbvia de acordo com os experts, Niels Harre e Martin Lohmann, em seu workshop “Is team self-selection the obvious choice?”, inspirado no trabalho de Sandy Mamoli e David Mole.

Self-selection é simples assim: tenho X colaboradores e preciso formar Y equipes. Depois, é chegar no grupo e dizer: virem-se! Permitir a escolha dos colegas de equipe pode gerar benefícios óbvios, mas a intenção principal da experiência do workshop era outra.

Os participantes simularam a situação inusitada e tiveram que se juntar em equipes. Assim como na vida real, uma pessoa acabou sobrando. Sabe como é? Alguém pode ser mais tímido, ou ser o membro novo que ainda não conhece ninguém; enfim.

Nesse momento, o facilitador intervém conversando com o membro “à toa” e com as equipes formadas. A conversa ajudou a integrar o colaborador e, através de certos critérios e medidas adotadas, ninguém ficou sem time e a equipe ficou satisfeita. Para quê segregar, quando se pode facilitar, não é mesmo?

O lado humano do Agile

Um dos keynotes mais esperados do XP 2019 era o “The Human Side of Agile” do professor, Robert Briddle. Em uma audaciosa pesquisa científica, Biddle associou conceitos de Psicologia e Ciências Sociais aos ambientes Ágeis de desenvolvimento
de softwares.

E o conteúdo da apresentação foi bem “straightfoward”. Sem mambo jambo, sem misticismo, tudo muito bem embasado em dados e pesquisas acadêmicas. Parando para pensar, não faz todo sentido pensar em seres humanos quando se aplica Agile em ambientes de produção?

Dá para provar que funciona?

No terceiro dia de XP 2019, o Marcelo e o Danilo optaram por prestigiar uma palestra de conterrâneos brasileiros. “Artifact-Facilitated Communication in Agile User-Centered Design” foi a apresentação liderada pelo Tiago Silva, professor da UNIFESP em São Paulo.

A pretensão do palestrante era, nada mais, nada menos, que provar por A + B que artefatos de UX, como protótipos e MVPs, melhoram o resultado final do produto. Para tanto, utilizaram uma diversidade de dados e estatísticas coletados de seus próprios projetos, nos quais esses artefatos foram essenciais para o sucesso da empreitada.

Desenho de um robô ao lado de um computador e a escrita " Testes Automatizados: estamos falando errado"

Testes automatizados: estamos falando errado

Nas palavras do Danilo Garcia: “essa palestra mudou a forma como eu enxergo os testes automatizados”. Pesado, não é? Mas é a realidade. Em uma das melhores palestras de todo o XP 2019 – “Refactoring the Agile Testing Quadrants” – o expert, Michael Bolton, diz na cara de todos: vocês estão cometendo um erro conceitual.

Na concepção de Bolton, o que chamamos de automação de testes deveria ser chamado de “automação de checks”. Pois esse tipo de automação nada mais é do que a validação de um comportamento previsto (dar um check em algo já esperado).

Por outro lado, teste pode ter um sentido mais profundo: para ele, testar é mais do que saber se o código está quebrado. Testar é enxergar se o que foi produzido traz valor real para o negócio, e isso ainda não é “automatizável”.

Além de toda a fundamentação embasada em dados de pesquisa, Bolton ainda reformula o clássico Quadrante de Testes de Marick:

Ilustração de um Quadrante de Testes de Marick

Para ele, a realidade estaria mais próxima disto:

Desenho de um quadro Crispin & Gregory's ( Earlier) version

Na visão de quem teve décadas de prática no assunto, “support programming” faria menos sentido do que “supporting the team”. Com essas mudanças, o especialista introduz uma forma inovadora de ver e praticar testes automatizados no mundo Ágil.

Agile aplicado problemas matemáticos complexos

Muito interessante foi a abordagem de Landon Noll em seu keynote “Programming in the Extreme: Finding a New Largest Known Prime”. Agile outside IT? O conceito é famoso, mas o que Noll apresentou vai bem além de outside IT.

Noll mostrou como aplica Agile em computação extrema para resolver problemas matemáticos de alta complexidade. Na realidade, ele é um recordista: ele descobriu o maior número primo até hoje conhecido, com mais de 25 milhões de dígitos!

Apesar de extremamente técnico, um aprendizado muito importante veio à tona: a agilidade é aplicável inclusive em ambientes incomuns. Veredito: seria um verdadeiro desperdício limitá-lo ao mundo da TI.

Agile Tests nas trincheiras, de verdade!

Finalmente, perto de fechar o evento com chave de ouro, chegou a hora da palestra
dos Agile Coaches, Marcelo Walter e Danilo Garcia: “Agile Tests at Scale – from
trenches. Really!”.

Trata-se da história de como a Objective passou de modestos 50 scripts de testes automatizados em 1996 para mais de 50 mil em 2019. O ponto focal da palestra foi o tempo de execução dos testes. Nossos agilistas contaram como, passo a passo, adotaram medidas pontuais para aprimorar o tempo de execução dos testes, passando de 50 scripts em 80 horas para 50 mil em 30 minutos!

Você encontra todos os detalhes neste artigo.

Ou pode baixar a apresentação utilizada no evento, aqui.

Missão cumprida no XP 2019

O evento ficou marcado pelos seus altos grau acadêmico e nível técnico. Talvez menos proveitoso para quem está dando os primeiros passos em Agile, o XP 2019 se configurou como uma solenidade de vanguarda para a comunidade ágil de todo o mundo.

Pode-se dizer com segurança que o evento contou com o que há de mais avançado em pesquisa e dados sobre metodologias ágeis. Algo que transborda as fronteiras do Canadá e alcança polos científicos de todo o mundo.

Lições aprendidas e missão cumprida!

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