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Como promover engajamento e resolver problemas com o pensamento visual.

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O ser humano guarda aproximadamente 80% do que vê e faz, 20% do que lê e 10% do que ouve. Não é mistério então que o pensamento visual é de suma importância. Saiba aproveitar o máximo desse conceito para promover engajamento e resolver problemas! Continue nessa leitura com a gente.

“A alma nunca pensa sem uma imagem mental” – Aristóteles. 

A neurociência apenas recentemente pesquisa sobre Pensamento Visual, um assunto que já era claro para Aristóteles séculos atrás.

easier to recall | pensamento visual
easier to recall | Neoman

Uma pesquisa atrás da outra e vai se formando um consenso de que é muito mais fácil compreendermos e memorizarmos informações que relacionamos com imagens, comparado ao que apenas ouvimos ou lemos.

Pare agora por um momento e reflita sobre isso. Tenho certeza que irá encontrar várias lembranças que remontam a imagem, e não textos, ou apenas falas, praticamente todas as nossas lembranças estão relacionadas a imagens. 

Está longe de ser um assunto novo, mas percebo que muitas vezes esquecemos do poder do pensamento visual. Quantos emails e reuniões longas e confusas poderiam ser mais produtivas e engajadoras simplesmente porque não usamos uma figura ou um rabisco para ilustrar aquilo que estamos tentando resolver, esclarecer ou comunicar. 

Afinal, o nosso cérebro adora imagens, cores e formas.

Nosso cérebro ama imagens, cores e formas!
Nosso cérebro ama imagens, cores e formas!

E quando as usamos para nos ajudar a entender, analisar e resolver problemas, podemos realmente potencializar o poder do cérebro. E ao mesmo tempo, pode ser prazeroso e divertido!

Como aplicar o Pensamento Visual?

E como fazemos isso? Vamos aprender através de um breve resumo do livro “The Back of the Napkin” do autor Dan Roam.

Aprenda como aplicar o pensamento visual com o livro "The Back of the Napkin" - Dan Roam
Aprenda como aplicar o pensamento visual com o livro “The Back of the Napkin” – Dan Roam
Primeiro exercício: Quem nós somos.
Primeiro exercício: Quem nós somos.

A primeira coisa que o Dan fala é que em se tratando de disposição para desenhar, existem diferentes grupos de pessoas:

  • Aqueles que não vêem a hora de começar a desenhar (Caneta Preta);
  • Aqueles que ficam felizes em colaborar com o trabalho de outra pessoa (Marcador ou Caneta Amarela);
  • E quem questiona tudo até o momento em que vai redesenhar tudo (Caneta Vermelha).

Reflita por um instante…  em qual grupo você está?

De acordo com Dan, não precisamos ser experts ou ótimos em desenho.
De acordo com Dan, não precisamos ser experts ou ótimos em desenho.

De acordo com Dan, não precisamos ser experts ou ótimos em desenho. Se você conseguir desenhar isso (independentemente de quão feios você achar seus resultados), então você certamente se tornará um melhor “pensador visual”.

Qualquer tipo de diagrama, gráfico, fluxograma, tabela, modelo de rede e muitos outros tipos de desenhos exigirá nada mais do que esses rabiscos. Você tem uma caneta ou lápis e papel perto de você? Que tal tentar? 

Não se tratam de figuras bonitas, o que importa é como estamos pensando com nossos olhos.

Se torne um melhor "pensador visual" com apenas alguns desenhos ´para melhorar seus fluxogramas, gráficos, diagramas e mais!
Se torne um melhor “pensador visual” com apenas alguns desenhos ´para melhorar seus fluxogramas, gráficos, diagramas e mais!

Agora que você praticou um pouco, é bom mencionar algo muito interessante do livro do Dan. Não importa o quão bonito ou perfeito seja o seu desenho, o que importa mesmo é que as pessoas gostam de ver desenhos de outras pessoas.

De acordo com Dan, quando as pessoas estão discutindo e alguém está desenhando uma imagem na tentativa de ilustrar o ponto de discussão, é quase instantâneo que as outras pessoas se juntem aos esforços desse alguém e tentem contribuir, não importa o quão feio você ache seu desenho. (Entendeu agora porque o Simon Sinek, normalmente usa um Flipchart e caneta em suas palestras?) 

As pessoas também compreenderão muito mais rapidamente o que está sendo apresentado ou, pelo menos, perceberão que seu entendimento não é exatamente o mesmo.

Depois você pode até pegar aquela versão desenhada à mão durante a reunião e torná-la mais bonita na ferramenta de desenho, mas o que Dan diz no livro é que em muitos casos, se começarmos direto no computador, podemos ter nossa criatividade/idéias bloqueadas porque sentimos que somos forçados a usar alguns dos modelos com a suposição de que esse é o certo para o nosso caso, o que em muitos casos está incorreto.

Pense nisso: você já esteve em uma reunião onde alguém começou a desenhar algo e a partir daí os participantes se envolveram muito mais nas discussões?

Também já aconteceu o contrário, em que você estava na reunião e tudo o que queria era um desenho, uma figura para ajudá-lo a entender melhor os conceitos?

O processo do pensamento visual
O processo do pensamento visual

Dan Roam também descreve o processo de pensamento visual. O que não deve ser uma surpresa, certo? Fazemos isso o tempo todo. Milhares de vezes ao dia!

Quando olhamos para algo, começamos a pensar “O que é isso?”, “O que estou olhando?” Quais são os limites? Qual é o lado de cima? Em seguida, você começa a tentar realmente encontrar algum padrão na imagem.

Quatro regras básicas na solução de problemas

Conheça as quatro regras básicas na solução de problemas
Conheça as quatro regras básicas na solução de problemas

Dan também recomenda quatro regras básicas a serem aplicadas quando estamos procurando algo novo, para que possamos nos tornar melhores pensadores visuais:

  1. Reúna tudo o que puder para olhar – às vezes é muito, às vezes é muito pouco.
  2. Tenha um lugar onde você possa colocar tudo e realmente olhar para tudo, lado a lado.
  3. Defina um sistema de coordenadas básico para dar uma orientação e posição claras.
  4. Encontre maneiras de cortar o que não é relevante no contexto – Triagem visual.

(Quadro Kanban, Miro… parece familiar?)

O principio da venda de garagem
O principio da venda de garagem

Particularmente na segunda etapa, em que ele diz para colocar tudo em um lugar onde você possa olhar, ele usa este exemplo que eu achei muito interessante. “O Princípio da venda de garagem: Tudo parece diferente quando temos a visão do todo.”

Comum nos Estados Unidos, a “venda de garagem” consiste em vender móveis e objetos da casa diretamente na garagem (ou no quintal), sem intermediários. Na figura acima, qual dos formatos parece ser o mais interessante para atrair um comprador? A primeira onde tudo está empilhado e desorganizado, ou a segunda onde tudo está setorizado e de fácil visualização? 

As seis maneiras de “ver” no pensamento visual

As seis formas que nós vemos
As seis formas que nós vemos

Voltando ao Processo de Pensamento Visual, Dan explica que temos seis maneiras de ver as coisas.

Quando estamos vendo algo, é quando estamos realmente tentando reunir as informações e encontrar padrões. Nós vemos:

  • Quem/ o quê;
  • Quantos;
  • Onde;
  • Quando, e;
  • Como.

E a combinação de tudo isso é o Porquê.

Como ver e como mostrar
Como ver e como mostrar

No livro você encontra mais detalhes sobre as possíveis informações visuais que podemos usar para ajudar a responder a cada pergunta que fazemos nas Seis Maneiras de Ver.

  • Quem, o quê – retrato
  • Quanto – gráficos
  • Onde – mapas
  • Quando – cronograma
  • Como – fluxograma
  • Por que – gráfico de múltiplas variáveis.

O pensamento visual para evitar a falha de comunicação

Há muitos anos trabalho em projetos internacionais, com times distribuídos, diferentes culturas e sotaques variados. Ao longo desses mais de 20 anos trabalhando em projetos complicados e complexos em um idioma que não é a minha língua nativa, aprendi que compartilhar a tela do meu computador para ilustrar o tema em questão, desenhar uma figura, mostrar uma planilha ou fazer um rabisco qualquer, ajuda muito a ter certeza de que todos estamos falando da mesma coisa. 

Essa prática também aumenta nossa produtividade, pois normalmente conseguimos resolver um problema muito mais rápido do que tentarmos apenas através das palavras, da fala. Em uma reunião onde o time está discutindo determinado assunto, cada uma está criando a sua própria imagem do problema, e cada uma terá a sua própria versão, ao passo que se tentarmos criar uma imagem juntos, chegaremos todos à mesma conclusão. Isso já aconteceu comigo, incontáveis vezes. 

O pensamento visual para solução de problemas

Pensamento Visual (ou imagens mentais) podem nos dar um grande impulso na solução de problemas. Explicando de uma forma simples, à medida que nossas ideias ficam mais complexas, é preciso muita energia mental apenas para manter todas essas imagens em nossas mentes. 

Imagine que seu cérebro é semelhante a um músculo que precisa de energia para funcionar bem e ficará estressado após muitos exercícios.

Podemos conservar nossa energia descarregando todas as imagens mentais em desenhos físicos, diagramas e notas. Podemos então direcionar nossa energia mental para encontrar uma solução.

O pensamento visual para transmitir informações complexas

No trabalho do conhecimento, normalmente lidamos com temas complicados ou complexos, e fazendo uso de ferramentas visuais, criando/rabiscando  figuras podemos trazer mais clareza, além de sermos mais efetivos na comunicação e promover maior engajamento. 

Atualmente, quase todas as ferramentas de reuniões virtuais tem algum recurso para desenho, use-os! Também os quadros, tipo Miro, são excelentes recursos para “imitar” o flipchart da sala de reuniões. 

Nessa linha de pensamento, os frameworks ágeis que também fazem uso de quadros para demonstrar o trabalho em progresso têm sido cada vez mais difundidos e adotados, não só em equipes presenciais mas também e principalmente no trabalho remoto que veio para ficar. 

Fazer uma reunião de acompanhamento de projeto com o time todo focado em um Quadro Kanban onde todos os cartões sendo trabalhados estão organizados, com cores representativas, e que todos sabem como encontrar as informações, é muito mais engajador e eficiente do que uma reunião onde as pessoas apenas dizem o que estão fazendo.  

Portanto fique atento às várias oportunidades de tirar vantagem do pensamento visual para o seu desenvolvimento profissional e pessoal, para ajudar seu time a resolver problemas e para promover engajamento com o seu público alvo. 

Bora explorar o pensamento visual? Pode apostar, que funciona!

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