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Redes Neutras: Entenda a situação atual no mercado

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As Redes Neutras surgiram como resposta a um conflito da ocupação dos postes de energia elétrica pelas operadoras de telecomunicações. Isso porque, com o cenário de uma alta demanda de conectividade por questões pandêmicas, vimos um crescimento do número de clientes em diversos ISPs, que ocasionou uma disputa ainda mais acirrada por espaço nos postes de energia.

Com a necessidade de instalação de um cabo dedicado para cada operados, o excesso de fios e caixas em um mesmo espaço pode acarretar na sobrecarga mecânica das redes de postes, gerando os mais diversos transtornos, como: acidentes com a queda de tais postes, curtos-circuitos, queda de energia e, até mesmo, desgaste mais rápidos de equipamentos.  

O presidente da Anatel, Leonardo de Morais, afirmou que, segundo as estimativas da agência, seriam necessários cerca de R$20 bilhões para a limpeza dos fios nos postes das concessionárias elétricas, sem que estes custos sejam revertidos em qualquer receita para as operadoras de telecomunicações. 

Hoje, o problema está concentrado em cerca de 25% das cidades brasileiras, ainda segundo Morais. Porém, a tendência é esse problema se alastrar de forma exponencial se nenhuma medida for tomada, e é nesse cenário que as redes neutras surgem como uma solução.

Esse tipo de rede faz com que várias operadoras atuem com a mesma infraestrutura, o que possibilita uma otimização dos investimentos que, consequentemente, aumenta a concorrência de internet banda larga no Brasil.

Ao longo da matéria, você verá o que são redes neutras, o princípio da neutralidade na rede, principais players do mercado de rede neutra atualmente, vantagens para provedores e a relação entre redes neutras e 5G.

O que é rede neutra?

Como abordado, redes neutras são aquelas que atendem várias operadoras de telecomunicação de forma não discriminatória, podendo ser fixas ou móveis. 

Um operador neutro faz com que várias empresas utilizem a mesma infraestrutura, podendo ser cabos metálicos, fibra óptica, redes móveis ou satélites. A companhia que possui interesse em se tornar um provedor de internet pode alugar a capacidade dessa rede e começar a cobrir cidades inteiras sem gastar com redes próprias, economizando muito dinheiro de aluguel e poupando os postes de chegarem a sua sobrecarga.

Já para o consumidor final, o serviço atua com toda a transparência e o usuário nem precisa saber que está conectado a uma rede considerada neutra. O atendimento, desde a instalação da rede até o suporte técnico, é realizado pela operadora contratada.

Agora, é possível que várias organizações operem em um mesmo cabo, graças às novas tecnologias como a VLANs (Virtual Local Area Network), a qual permite a criação de redes virtuais em uma camada de enlace, ou seja, dividir uma rede local (física) em mais de uma rede (virtual), criando domínios de broadcast separados.

Vale ressaltar que existe uma grande diferença entre as redes neutras e as operadoras virtuais, em que as empresas-mãe são responsáveis por re-venderem a infraestrutura existente sem a gerência e o controle de rede.

O que é o princípio da neutralidade na rede?

O princípio da neutralidade na rede é elaborado por pesquisadores e inserido nas discussões sobre a governança da internet no mundo, transformando-as em legislação pelos países. 

A neutralidade de rede, ou também conhecido como princípio da não descriminação de pacotes, trabalha com o princípio de que o tráfego na rede deve ser tratado da mesma forma e com a mesma velocidade independente de conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação. 

Esse princípio foi definido através do Marco Civil da Internet, em 2014, porém deferido apenas em 2016 através do decreto que o regulamenta (nº 8771/2016), em ambos os casos dica vedada a priorização de pacotes em razão de práticas comerciais, com apenas duas exceções: “requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e operações” ou “priorização dos serviços de emergência”. 

Ou seja, a liberdade dos usuários da internet não pode ser restringida pelo favorecimento ou não de transmissões de tráfego relacionadas a conteúdos, aplicações, serviços ou dispositivos particulares.

Principais players do mercado de rede neutra atualmente

Segundo o  presidente da Anatel, também disse que as redes neutras só serão verdadeiramente neutras com a separação efetiva do varejo e do atacado. O que nos faz refletir sobre o cenário atual das principais players de mercado.

Hoje percebemos as seguintes empresas como as que possuem maior destaque nesse segmento:

  • V.tal
  • Fibrasil
  • I-Systems

Esses nomes são importantes porque, apesar de serem segmentos separados das empresas, elas remetem ao grupo econômico de grandes empresas de telefonia. Sendo a Fibrasil da Claro e a I-Systems da Tim em conjunto com a IHS Towers.

Principais vantagens para provedores

A infraestrutura da V.tal – primeira empresa de rede neutra fim-a-fim no mercado brasileiro – é compartilhada por mais de 400 players de banda larga em fibra óptica do país e é responsável por ajudar na rentabilização do investimento, permitindo o ampliamento da rede.

Portanto, os parceiros podem optar por modelos que vão até a casa do cliente ou que vão até o poste. Essa rede neutra fim-a-fim possibilita um foco maior no cuidado com o cliente, deixando de lado a parte da infraestrutura e suas complexidades.

Alguns outros benefícios são:

  • As redes neutras possibilitam maiores velocidades de expansão de seus negócios, em especial para provedores regionais;
  • A rede neutra acarreta na melhor experiência do cliente e também em mais investimentos em segurança, já que com poucos players utilizando a infraestrutura será mais efetivo a atuação conta roubos ou depredações, além de ser um ótima resposta a poluição visual dos postes nas grandes cidades;
  • Ela elimina a necessidade de investimentos em infraestrutura por parte dos provedores;
  • Permite que provedores regionais expandem suas operações para outras áreas em maior velocidade e sem alto custo;
  • Elas possibilitam além da capacidade, são um motor de acesso a conteúdo rápido, mais nós de processamento e armazenagem de conteúdo, além da alta capilaridade;
  • Evita sobreposições e redundâncias de infraestrutura em uma mesma região.

Construir ou usar uma rede neutra de mercado

Ao pensar em adotar um serviço de rede neutra, entra um questionamento muito forte para os provedores: a tomada de decisão entre construir uma rede neutra própria ou adotar uma de mercado, para auxiliar na diferenciação entre as duas frentes.

Compartilhamos aqui a comparação feita pela Fibrasil em uma palestra no INOVatic Sul, separados em aspectos, vejamos a seguir:

  • Time to market: Quando pensando em uma construção própria, esse tempo pode variar em uma média de 6 e 12 meses, a depender de fatores externos e internos do processo de construção da solução. Já quando pensando em usar uma rede de mercado, em poucas semanas você já conseguiria ter o usufruto do produto.
  • Investimentos: No pensamento de construção de uma rede neutra, os custos são, com certeza, altos. Sendo gastos de infraestrutura e licenciamentos. Já ao contratar uma solução de mercado esses custos seriam diluídos, portanto, mais baixos.
  • Licenciamentos: Quando falando de licenciamento, na construção própria eles são mais complexos, já quando contratado uma rede neutra de mercado esses devem ser resolvidos pela solução mãe, não gerando nenhum tipo de dificuldade para o provedor;
  • Custos para conectar e operar: Os custos para conectar são altos para a construção própria, e médios para quem contratar a solução de mercado, já os de operação são médios para ambos;
  • Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA): Nesse aspecto não é muito vantajoso a construção da própria solução de rede neutra, já que o valor é relativamente alto nesse caso e, consequentemente, um valor mais baixo quando falamos de contratar um serviço de mercado;
  • Retorno Sobre Investimento (ROI): O retorno quando falamos de construção da rede neutra internamente acaba sendo menor, por conta de todos os gastos com infraestrutura, principalmente se comparados com o retorno de quando comprando uma solução de mercado.

Redes Neutras e 5G: entenda a relação (H2)

A internet móvel de quinta geração, mais conhecida como 5G, vai demandar grande fluxo de dados do edge computing em uma velocidade altíssima. Para que tudo funcione conforme esperado, será preciso o auxílio de um suporte de rede robusta de fibra óptica que sustente o tráfego. Por isso, que negócios como a V.tal serão grandes viabilizadores do 5G no país.

Para isso, é necessário uma rede muito robusta e que possua uma taxa de latência muito baixa. Quanto mais rápido forem as redes neutras, menor é a latência, o que é fundamental para o funcionamento do 5G.

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