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Importunação sexual: para além de uma discussão de mulheres

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Em 2020, mais de 26,5 milhões de brasileiras relataram que ouviram cantadas e comentários desrespeitosos na rua e no trabalho, algumas chegaram até mesmo a serem agarradas, como aponta a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
E os números não param por aí, estima-se que 88% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio em espaço público e os casos aumentam a cada ano. Entre as importunações mais relatadas, de acordo com uma pesquisa da L’Oréal Paris e Ipsos de março de 2021, estão olhares fixos e maliciosos, assobios e ruídos maliciosos, além de piadas sexualmente sugestivas sobre seus corpos e humilhações públicas.
A temática, que até então era pouco debatida, começou a ser mais notada em 2017, após a repercussão de um ato de importunação sexual em um ônibus na cidade de São Paulo, em que um homem ejaculou no pescoço de uma passageira.
A primeira lei que criminaliza a importunação sexual surgiu no ano seguinte, mas ainda há uma série de impasses e grande pressão da sociedade por ações que ajudem a minimizar esses números. Sendo assim, o combate ao assédio sexual de mulheres e a violência de gênero passou a ser um compromisso também das corporações.
Mas o que se configura a importunação sexual? De forma resumida, a importunação sexual é qualquer prática de cunho sexual realizada sem o consentimento da vítima, tais como olhares constrangedores, cantadas, toques inapropriados ou beijos “roubados”.
Os casos mais comuns de importunação sexual são em locais públicos e em transportes coletivos. Há inúmeros casos que repercutiram na mídia, o mais recente foi em outubro de 2021, em que uma ciclista foi tocada por um homem que passava de carro enquanto pedalava em Palmas, no Paraná. A vítima caiu e recebeu ajuda, mas nem sempre é assim, apenas 25% das mulheres que sofrem algum tipo de importunação são amparadas.
O baixo número de intervenções em caso de importunação sexual se dá muito pelas pessoas ao redor não saberem como agir, mas a partir do momento que uma violência não é reprimida, o ato se torna aceitável e o agressor não sente vergonha ou qualquer tipo repulsa, por isso a importância da intervenção segura.
A L’Oréal Paris lançou a campanha Stand Up para combater a importunação sexual. A ação acontece em vários países e tem como objetivo conscientizar homens e mulheres sobre o tema, repensar a forma como as mulheres são tratadas e exigir o respeito às elas. No Brasil, uma das ONGs responsáveis pela aplicação do treinamento é a Cruzando Histórias. E no Dia Internacional das Mulheres, a Objective aderiu a causa e ajudou a promover a campanha para conscientizar as pessoas sobre a importunação sexual.
O treinamento foi desenvolvido pela ONG americana Right To Be, que é referência no combate a importunação sexual e contou com vários especialistas que validaram a teoria. O objetivo é intervir com segurança quando qualquer pessoa testemunhar um assédio nas ruas.
A metodologia é baseada em 5Ds (Distrair, Delegar, Documentar, Direcionar e Dialogar) que deve ser usada para diferentes situações. A meta do ação é atingir 1 milhão de pessoas em todo o mundo, até agora pouco mais de 600 mil pessoas foram treinadas.

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