Mais do que um cargo ou um papel, o lider ágil é uma questão de atitude.

Entendendo a autogestão e o empoderamento do time como duas das essências do desenvolvimento ágil de projetos, não importa se você é um desenvolvedor ou um gestor, os skills e conhecimentos das disciplinas que envolvem liderança sempre irão te ajudar.

Liderança é uma associação entre postura e preparo, independentemente de hierarquia.

Então, é função de todos nós estarmos atentos aos skills e às práticas necessárias para construirmos uma boa trajetória como líderes.

Pense que sempre somos líderes de algo em algum momento: seja de nossas tarefas, de nosso tempo, de um projeto ou de uma equipe.

Diferentemente das atividades puramente técnicas, a liderança adiciona o layer “pessoas” ao processo. Isso muda o jogo completamente.

Trabalhar com pessoas é mais complexo e envolve outra classe de habilidades, para além do sentar em frente ao computador e operar tarefas.

Desse outro grande universo de aprendizado, eu destaco nesse texto três mindsets fundamentais para iniciarmos qualquer postura de liderança dentro do nosso ambiente de trabalho:

  • Active Listening;
  • Visão Generalista,
  • e o Mindset da Facilitação.

Seja de forma empírica, estudando, através de coaching ou mentoring, é importante estarmos atentos a esses aspectos.

líder ágil

Seja um líder ágil

  1. Active listening

Um bom líder é, antes de tudo, um bom ouvinte. Saber ouvir os outros é uma virtude muito conhecida e pouco praticada. Em inglês existe uma disciplina que aborda exatamente isso: active listening.

Ouvir sabiamente trata-se de dar atenção ao que se ouve.

Na maioria das situações, operamos em modo de julgamento: ao mesmo tempo em que ouvimos alguém, estamos formulando hipóteses dentro da nossa cabeça para – concordando ou não –  iniciarmos nossa argumentação, sem ao menos pararmos para pensar – sem preconceitos – no que estamos ouvindo.

Esse processo é uma armadilha: ao iniciarmos nosso processo de julgamento, necessariamente não estamos atentos à fala do outro. Isso prejudica o entendimento e o diálogo, necessariamente.

Em vez disso, ouça sem julgar. Tente entender as motivações que levaram aquela pessoa a falar aquilo naquele determinado momento. Adicionando esse layer de entendimento sem pré-julgamento, estamos favorecendo a comunicação e enriquecendo nosso próprio background.

A active listening trata de darmos aos outros o tempo necessário para que eles explorem seus pensamentos e sentimentos, ouvir atentamente ao que está sendo dito, e só então iniciarmos a nossa argumentação, estritamente baseada no que ouvimos.

  1. Visão generalista

Você sabe um monte de coisas, mas não sabe tudo.

Um líder é essencialmente um generalista. Independentemente das especialidades que domine, ele entende o processo como um todo, em profundidade média.

Não há como saber tudo de tudo. Um líder se cerca das pessoas que sabem muito sobre determinados assuntos, enquanto ele tem a visão geral. É o equilíbrio entre saber o bastante para entender o todo sem se limitar a detalhes e especificidades.

E não há vergonha em não saber. Vergonha é não perguntar. É por isso que um bom líder pede ajuda sempre que preciso. A visão generalista pede que sejamos sempre curiosos e estejamos sempre querendo aprender e entender mais.

Aprender a ouvir atentamente e cultivar a postura generalista nos deixam preparados para exercer a terceira virtude fundamental de um bom líder.

  1. O mindset da Facilitação

Ao contrário da visão tradicional de projetos, onde corre-se o risco de centralizar informações e cair na armadilha de gerir recursos em vez de gerir o fluxo do projeto, o líder tem que ver a si mesmo como um facilitador.

Um facilitador promove as condições para que o fluxo de projeto ocorra de forma contínua e estável. Nessa cesta estão a estrita preocupação com a organização e comunicação do projeto.

A principal função do facilitador é remover impedimentos do fluxo de trabalho da equipe. Os impedimentos invadem nossa rotina a todo momento: novas demandas, urgências, handoffs, e por aí vai.

A sensibilidade do líder como facilitador está em identificar – e até antever – esses impedimentos para que o trabalho corra de forma fluida.

Em outras palavras, trata-se de deter a visão sistêmica do projeto, direcionar a equipe, aprender a delegar e monitorar o processo, provendo sempre as melhores condições possíveis de trabalho.

Esses são três dos aspectos que considero a base para a caminhada de um líder. Existe uma infinidade de outros tópicos e disciplinas que podem – e devem – ser explorados.

Lembre-se: escute atentamente, pense como um generalista, e mantenha-se sempre curioso!

Fabio Torres
Agile Coach Objective
fabio.torres@objective.com.br